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Gonçalo Capitão Deputado do PSD
10.03.2026

Murais

Teresa Morais logrou algo de ganho imediato: fazer cair a nova máscara de André Ventura. Desde as eleições presidenciais que o “grande líder da direita” tentava criar uma nova persona ou mudar de maquilhagem para conservar o eleitorado moderado que granjeou na segunda volta das eleições presidenciais.

Quando, na semana passada, Teresa Morais decidiu enfrentar André Ventura, não estava em causa apenas a coerência com os princípios que sempre defendeu, um impulso à justa dignificação da mulher ou o decurso urbano dos trabalhos parlamentares. Morais respondeu ao habitual graffiti político do Chega (feito de frases feitas e baixeza) com um mural de elevação, valores e defesa da democracia (Cultura contra o ardil, portanto).

Disse a Presidente em exercício da Assembleia da República que não admitia que se deixasse no ar a ideia de que qualquer deputada ocultara violadores ou violações. Efectivamente, quero acreditar que assim seja e a simples afirmação é de uma vileza que deveria envergonhar o orador. Infelizmente, creio que há um segmento eleitoral que se revê neste tipo de alarvidades.

Discordo, portanto, daqueles que entenderam que quem preside aos trabalhos tem de ser mudo e um mero intendente. Ser imparcial é zelar pelo cumprimento objectivo das regras, não é deixar que a liberdade se transforme em libertinagem ou que uma reunião política se transforme numa taberna de piratas.

A mais da salvaguarda dos princípios, Teresa Morais logrou algo de ganho imediato: fazer cair a nova máscara de André Ventura. Desde as eleições presidenciais que o “grande líder da direita” tentava criar uma nova persona ou mudar de maquilhagem para conservar o eleitorado moderado que granjeou na segunda volta das eleições presidenciais. Quem estiver minimamente atento à vida política nacional terá notado que Ventura ensaiou discursos mais moderados, com mais conteúdo, cortando na demagogia como se tivesse aderido a uma qualquer cura dos “demagogos anónimos” ou tivesse bebido dose moderada de sentido de Estado (nunca deixou por completo de nos iludir).

Ora a histeria revelada contra a condução dos trabalhos, acolitada pela berraria falsa sobre raça, nacionalidade e segurança, fez voltar o velho “Andrézito” de Isaltino Morais (apelido na berlinda, diria): mistificador, divisionista, extremista e mal-educado (sem nunca chegar ao nível básico do impagável Pinto ou à brejeirice do inenarrável Melo, reconheça-se).

Permite-nos isto dizer aos eleitores moderados que não quiseram votar num candidato socialista duas coisas essenciais: em primeiro lugar, que o recado já foi escutado. Havia causas não atendidas ou não percepcionadas como tal (designadamente, a imigração e a segurança) que estão no centro das políticas públicas, pese embora devidamente humanizadas e democratizadas.

Em segundo lugar, surge a oportunidade de perguntar a grande franja de votantes que embarcaram na novidade se desejam mesmo andar acompanhados por “gente” desta estirpe. A mais da catadupa de escândalos ocorridos com várias personalidades do Chega, o êxodo de vereadores recém-eleitos do partido mostra bem o cimento de contrafacção que une o cortejo que adula Ventura. Diria Rui Reininho, “é tudo a mesma fruta, a mesma caldeirada”.

Que venham depois de Morais outros que pintem murais de democracia, urbanidade, respeito e valores. O exemplo está dado.

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