Presidente eleito
Governo e Presidente da República têm legitimidades próprias, funções distintas e responsabilidades complementares.
As eleições presidenciais encerram sempre mais do que uma disputa eleitoral: fecham um ciclo político e abrem inevitavelmente outro. O resultado de ontem, na sua expressão democrática, coloca-nos agora perante um momento que exige maturidade institucional, sentido estratégico e capacidade de leitura fina do país real, aquele que vota, mas também aquele que se sente distante da política.
A primeira nota, a meu ver, deve ser de normalidade democrática. Governo e Presidente da República têm legitimidades próprias, funções distintas e responsabilidades complementares. A história da nossa democracia mostra que a cooperação institucional não depende de coincidências partidárias, mas sim de sentido de Estado.
É isso que os portugueses esperam: estabilidade, previsibilidade e foco nas respostas concretas aos problemas que afetam o seu quotidiano.
Esta nova fase deve ser aproveitada para recentrar o debate político no essencial! Portugal enfrenta desafios estruturais exigentes: o crescimento económico, a resolução de muitos dos problemas que preocupam os portugueses, o acesso à saúde pública, a educação, a reforma do Estado, as desigualdades territoriais. Estes temas não podem ser secundarizados por agendas táticas ou ciclos de polémica permanente.
Há também uma dimensão institucional que não pode ser ignorada. A relação entre Belém e São Bento tem impacto direto na perceção de estabilidade política interna e externa. Investidores, parceiros europeus e cidadãos acompanham não apenas decisões políticas concretas, mas também o clima institucional. Cooperação não significa ausência de escrutínio, mas sim, capacidade de diálogo construtivo mesmo quando existem divergências.
Outro aspeto que merece reflexão é a forma como o espaço político português está a evoluir. A fragmentação partidária, a volatilidade eleitoral e o crescimento de discursos mais polarizados são fenómenos que atravessam muitas democracias europeias. Portugal não está imune a essa tendência. Ignorá-la seria ingénuo; dramatizá-la em excesso pode ser contraproducente. O caminho, creio, passa por continuar a reforçar a credibilidade das instituições através de resultados concretos e de uma política executiva e funcional.
Neste contexto, o Parlamento terá um papel particularmente relevante. É na Assembleia da República que se constrói compromisso, se fiscaliza o Governo e se legisla em função de muitas das expectativas sociais. Isso exige uma cultura política de exigência, mas também de responsabilidade.
Não podemos esquecer, por fim, a dimensão simbólica destas eleições. A escolha de um Presidente da República é sempre também uma escolha sobre o tom da vida democrática. Espera-se uma magistratura de influência que promova estabilidade, incentive consensos essenciais e ajude a preservar a confiança dos cidadãos nas instituições.
O país não precisa de uma política permanentemente em modo eleitoral. Precisa, isso sim, de uma política capaz de decidir, de executar e de explicar. Precisa de líderes que saibam discordar sem hostilizar, cooperar sem abdicar de convicções e reformar sem receio de custos políticos imediatos.
Se todos os protagonistas institucionais estiverem à altura desse desafio, esta nova etapa poderá ser menos marcada por tensão estéril e mais orientada para resultados concretos. É esse, estou convicta, o mandato implícito que os portugueses deixaram nestas eleições: estabilidade com ambição, responsabilidade com visão de futuro.
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