Secções
Entrar
Andreia Neto Deputada do PSD
11.02.2026

Presidente eleito

Governo e Presidente da República têm legitimidades próprias, funções distintas e responsabilidades complementares.

As eleições presidenciais encerram sempre mais do que uma disputa eleitoral: fecham um ciclo político e abrem inevitavelmente outro. O resultado de ontem, na sua expressão democrática, coloca-nos agora perante um momento que exige maturidade institucional, sentido estratégico e capacidade de leitura fina do país real, aquele que vota, mas também aquele que se sente distante da política.

A primeira nota, a meu ver, deve ser de normalidade democrática. Governo e Presidente da República têm legitimidades próprias, funções distintas e responsabilidades complementares. A história da nossa democracia mostra que a cooperação institucional não depende de coincidências partidárias, mas sim de sentido de Estado.

É isso que os portugueses esperam: estabilidade, previsibilidade e foco nas respostas concretas aos problemas que afetam o seu quotidiano.

Esta nova fase deve ser aproveitada para recentrar o debate político no essencial! Portugal enfrenta desafios estruturais exigentes: o crescimento económico, a resolução de muitos dos problemas que preocupam os portugueses, o acesso à saúde pública, a educação, a reforma do Estado, as desigualdades territoriais. Estes temas não podem ser secundarizados por agendas táticas ou ciclos de polémica permanente.

Há também uma dimensão institucional que não pode ser ignorada. A relação entre Belém e São Bento tem impacto direto na perceção de estabilidade política interna e externa. Investidores, parceiros europeus e cidadãos acompanham não apenas decisões políticas concretas, mas também o clima institucional. Cooperação não significa ausência de escrutínio, mas sim, capacidade de diálogo construtivo mesmo quando existem divergências.

Outro aspeto que merece reflexão é a forma como o espaço político português está a evoluir. A fragmentação partidária, a volatilidade eleitoral e o crescimento de discursos mais polarizados são fenómenos que atravessam muitas democracias europeias. Portugal não está imune a essa tendência. Ignorá-la seria ingénuo; dramatizá-la em excesso pode ser contraproducente. O caminho, creio, passa por continuar a reforçar a credibilidade das instituições através de resultados concretos e de uma política executiva e funcional.

Neste contexto, o Parlamento terá um papel particularmente relevante. É na Assembleia da República que se constrói compromisso, se fiscaliza o Governo e se legisla em função de muitas das expectativas sociais. Isso exige uma cultura política de exigência, mas também de responsabilidade.

Não podemos esquecer, por fim, a dimensão simbólica destas eleições. A escolha de um Presidente da República é sempre também uma escolha sobre o tom da vida democrática. Espera-se uma magistratura de influência que promova estabilidade, incentive consensos essenciais e ajude a preservar a confiança dos cidadãos nas instituições.

O país não precisa de uma política permanentemente em modo eleitoral. Precisa, isso sim, de uma política capaz de decidir, de executar e de explicar. Precisa de líderes que saibam discordar sem hostilizar, cooperar sem abdicar de convicções e reformar sem receio de custos políticos imediatos.

Se todos os protagonistas institucionais estiverem à altura desse desafio, esta nova etapa poderá ser menos marcada por tensão estéril e mais orientada para resultados concretos. É esse, estou convicta, o mandato implícito que os portugueses deixaram nestas eleições: estabilidade com ambição, responsabilidade com visão de futuro.

Mais crónicas do autor
11 de fevereiro de 2026 às 07:00

Presidente eleito

Governo e Presidente da República têm legitimidades próprias, funções distintas e responsabilidades complementares.

06 de janeiro de 2026 às 11:23

A Presidência da República, a experiência e o futuro

Marques Mendes tem demonstrado, de forma consistente, uma postura agregadora, capaz de unir em vez de dividir, de escutar em vez de confrontar.

23 de dezembro de 2025 às 09:51

A queda de um Governo no Tribunal mediático

Num Estado de direito, a política não se conduz por capas de jornais, conduz-se pela vontade popular expressa nas urnas.

25 de novembro de 2025 às 08:00

A saúde de uma nação

Cuidar da saúde começa por voltar a dar ao corpo aquilo para que ele foi feito: mover-se.

Mostrar mais crónicas
Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana.
Boas leituras!