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Ucrânia: Macron apoia "trégua energética genuína" e continua "ao lado de Zelensky"

Lusa 11 de outubro de 2026 às 20:38

O líder francês acrescentou que "a França continuará ao lado da Ucrânia e Zelensky", sem mencionar a sugestão deixada por Trump para uma mudança do presidente ucraniano.

A França "apoia integralmente o apelo para uma trégua energética genuína, à qual a Ucrânia está disposta", afirmou hoje o Presidente francês, Emmanuel Macron, após o homólogo norte-americano, Donald Trump, ter anunciado um cessar-fogo entre Kiev e Moscovo.

French President Emmanuel Macron gestures as he addresses the audience during a press conference following a meeting with the 2027 Thomas Samson / AP

"Neste momento, a Rússia continua a rejeitá-lo, intensificando os seus ataques contra as infraestruturas ucranianas nas últimas horas", observou Macron na rede social X, pouco depois do anúncio por parte do líder da Casa Branca de uma trégua energética, que o Presidente ucraniano diz desconhecer, embora esteja pronto a aceitá-la.

O líder francês acrescentou que "a França continuará ao lado da Ucrânia e do Presidente Zelensky", sem mencionar diretamente a sugestão deixada no sábado por Donald Trump para uma mudança do presidente ucraniano, nem o acordo dos Estados Unidos com a Rússia sobre fornecimento de gasóleo, apesar das sanções contra Moscovo.

No mesmo sentido, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, falou hoje por telefone com Zelensky para transmitir apoio aos apelos do líder ucraniano para a implementação de um cessar-fogo quando a guerra entrou na sua fase "mais negra".

Donald Trump anunciou hoje que a Rússia e a Ucrânia concordaram com um cessar-fogo para os ataques contra infraestruturas energéticas dos dois países, embora não tenha fornecido qualquer detalhe.

"A partir de agora, há um cessar-fogo energético [escrito em maiúsculas] na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Ambos os lados concordaram. Não o quebrem!", escreveu o líder da Casa Branca na sua rede social Truth Social.

Pouco depois do anúncio, Zelensky disse ao portal Axios que desconhece o cessar-fogo energético com a Rússia.

"O anúncio deste cessar-fogo foi uma novidade para mim. Mas, se os russos concordarem com um cessar-fogo energético, a Ucrânia concordará", declarou o líder ucraniano, segundo o jornalista Barak Ravid, do portal norte-americano, que publicou estas declarações na rede X.

Posteriormente, Zelensky disse, na rede social Facebook, que aguarda esclarecimentos de Washington.

"A Ucrânia apoia o cessar-fogo e é importante que a Rússia também o apoie. Aguardamos detalhes do lado americano", declarou.

Ainda não é conhecida a reação de Moscovo ao anúncio de Trump, depois de, no sábado, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, ter afirmado que o Presidente russo, Vladimir Putin, "acolheu com compreensão" propostas não especificadas do homólogo norte-americano sobre a Ucrânia.

No mesmo dia, o Presidente norte-americano voltou a dirigir acusações a Zelensky e defendeu que chegou a altura de a Ucrânia ter um novo Presidente, num novo episódio de tensão entre ambos desde o explosivo encontro na Sala Oval, em fevereiro de 2025.

O líder da Casa Branca sugeriu que Zelensky não fez o suficiente para acabar com a guerra e contribuiu para os elevados preços dos combustíveis nos Estados Unidos, devido aos ataques ucranianos contra refinarias russas.

Em resposta, o Presidente ucraniano disse que o seu país poderia realizar eleições se a Rússia concordasse com um cessar-fogo de 60 dias.

"Com todo o respeito pelo Presidente Trump, cabe à nossa sociedade, ao nosso povo, escolher um ou outro líder", prosseguiu o líder ucraniano, acrescentando que a realização de uma votação durante a guerra seria ilegal, à luz da lei marcial em vigor desde o começo a invasão russa, em fevereiro de 2022, e apenas possível com garantias de segurança para que os cidadãos pudessem votar.

Antes do anúncio do cessar-fogo, a administração norte-americana autorizou temporariamente, na sexta-feira, a venda, entrega, descarga e importação de gasóleo de fabrico russo, incluindo a sua entrada no mercado norte-americano, até 07 de abril de 2027, apesar das sanções impostas a Moscovo.

A medida foi justificada por Donald Trump como um esforço para conter a escalada de preços dos combustíveis desde o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, em 28 de fevereiro, e que ameaça o desempenho dos republicanos nas eleições intercalares para o Congresso dos Estados Unidos, no início de novembro.

Em reação, Zelensky considerou que a Rússia "expressou a sua gratidão" a Washington pelo levantamento de sanções petrolíferas através de novos bombardeamentos contra o seu país e referiu-se a uma decisão "imprópria de um aliado".

Os esforços diplomáticos sob mediação de Washington para pôr fim a mais de quatro anos de ofensiva russa na Ucrânia encontram-se atualmente num impasse.

Nos últimos meses, a Rússia e a Ucrânia intensificaram uma guerra aérea de longo alcance, enquanto os seus exércitos permanecem sem avanços significativos nas várias linhas da frente.

A visita em setembro dos emissários norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner a Moscovo e posteriormente, de modo inédito, a Kiev não resultou em qualquer anúncio concreto.

Uma delegação ucraniana esteve em Miami no sábado para conversações, mas regressou a Kiev sem que nenhum avanço tivesse sido divulgado.

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