Irão. Prosseguem negociações sobre plano de dois dias para reabrir Ormuz
"Ainda não chegámos a um resultado concreto e isso depende das respostas que o homólogo queira dar às nossas perguntas", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano.
O Irão disse hoje que prosseguem as conversações indiretas com os Estados Unidos, com a mediação do Qatar, sobre um plano de dois dias para reabrir o estreito de Ormuz.
"Estamos atualmente a negociar um plano de dois dias com os mediadores, mas ainda não chegámos a um resultado concreto e isso depende das respostas que o homólogo queira dar às nossas perguntas", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, à margem de uma sessão parlamentar, noticiou a agência ICANA, a agência oficial de notícias do parlamento do Irão.
Até agora, uma semana de intensos esforços diplomáticos não produziu resultados para permitir pôr fim à guerra de oito meses, iniciada em fevereiro com ataques dos Estadoa Unidos e Israel contra o Irão, que retaliou com o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo.
O chefe da diplomacia iraniana recordou que uma delegação do seu país, liderada por um vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, viajou no sábado para o Qatar com o objetivo de "continuar os diálogos com mediadores qataris que visitaram Teerão nas últimas semanas" e reiterou "que não havia um plano para realizar negociações com a parte norte-americana" nessas reuniões.
"Estamos a fazer tudo o que é possível para avançar neste caminho (diplomático) e esperamos que o outro lado aja racionalmente e priorize a diplomacia em detrimento de outras opções", acrescentou Araghchi, recordando que a República Islâmica está preparada para qualquer cenário.
Uma delegação qatari deslocou-se ao Irão pelo menos duas vezes esta semana, assim como altos responsáveis de defesa do Paquistão, Arábia Saudita e Turquia -- países membros do Pacto de Meca -- que se reuniram na segunda-feira em Teerão com as autoridades do país persa para discutir a guerra.
Numa entrevista no sábado à rede qatari Al Jazeera, Araghchi explicou que o Qatar propôs reduzir o período inicialmente planeado pelo Irão no seu plano de paz de sete para cinco dias e que as partes estão agora a trabalhar para o encurtar ainda mais, para dois dias.
A 25 de setembro, durante uma conferência de imprensa à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, Araghchi propôs a Washington um plano de sete dias para acabar com as hostilidades.
A proposta previa um cessar-fogo no Médio Oriente, o fim do bloqueio naval dos EUA, o levantamento das sanções ao petróleo iraniano e a libertação dos ativos iranianos congelados, em troca da reabertura de Ormuz e do início das negociações com os Estados Unidos para alcançar um acordo final.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, que rejeitou o plano de sete dias de Teerão e mantém pressão através do bloqueio naval e da intensificação das sanções, assegurou no sábado que não atacará o país antes das eleições intercalares de terça-feira e que as negociações com o Irão estão a correr bem, embora tenha alertado que Washington ainda tem objetivos militares pendentes.
A estas novas ameaças, as autoridades iranianas responderam alertando os EUA de que um eventual retomar das hostilidades poderia ser "mais longo" que a guerra anterior.