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Foram registadas pelo menos 35 mil mortes em excesso durante onda de calor na Europa

Débora Calheiros Lourenço 25 de agosto de 2026 às 11:15

Os dados da mortalidade em excesso são compilados sistematicamente em toda a União Europeia desde 2008.

Pelo menos 35 mil pessoas acima dos valores habituais morreram na Europa durante as quatro ondas de calor consecutivas que se fizeram sentir no continente este verão, de acordo com os mais recentes dados que abrangem metade do continente.  

Ondas de calor vão continuar e tornar-se mais intensas NUNO VEIGA/LUSA

A mortalidade excessiva em três dos maiores países da União Europeia – Alemanha, França e Espanha - já ultrapassou os 25 mil óbitos e vários especialistas referiram que o número pode ainda aumentar quando os valores de agosto estiverem totalmente apurados.  

As ondas de calor consecutivas que atingiram a Europa Ocidental desde maio quebraram todos os recordes históricos de temperatura em centenas de estações meteorológicas, a França registou mesmo o dia com a temperatura média nacional mais alta da sua história. A Alemanha registou, no final de junho, recordes de temperaturas por três dias consecutivos, com temperaturas acima dos 40 graus Celsius, enquanto a Espanha presenciou máximas acima de 42 graus de forma persistente.  

Vários cientistas já referiram que o aquecimento global está a tornar este tipo de eventos extremos mais frequentes e intensos. O número de mortes mais elevados é na Alemanha onde, no final da semana passada, foram reportadas cerca de 14 mil mortes relacionadas com o calor entre 6 de abril e 9 de agosto. A agência de saúde pública alemã informou ainda que 9.600 pessoas morreram apenas na semana de 22 a 28 de junho.  

Os dados da mortalidade em excesso são compilados sistematicamente em toda a União Europeia desde 2008 e este verão foi, de longe, o pior em termos de mortes relacionadas com o calor na Alemanha desde que os registos começaram.  

Dados do sistema de monitorização da mortalidade espanhol sugerem que entre maio e o início desta semana 4.947 mortes podem ser atribuídas ao calor, tornando este o ano em que a mortalidade mais aumentou, também em Espanha. 

Comparar as temperaturas diárias e as taxas de mortalidade é importante porque o calor raramente é apontado como uma causa direta de morta. Na maioria dos casos, o calor agrava condições de saúde preexistentes, como doenças respiratórias ou cardiovascular e as vítimas morrem de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral ou insuficiência renal. A atribuição da morte aos impactos do calor pode levar semanas ou até meses e muitos países ainda não divulgaram os dados relativos a este verão.  

A França, onde mais temperaturas acima de 40 graus Celsius foram registadas durante vários dias e onde em determinado momento 98% do país esteve sob alerta vermelho, divulga inicialmente um número excessivo de mortes “por todas as causas” e, posteriormente, faz a atribuição definitiva das causas.  

Em Itália os números finais também não são conhecidos, mas os dados iniciais sugerem que 2.700 pessoas morreram em excesso apenas entre os dias 22 e 28 de junho.  

No Reino Unido, a agência de segurança sanitária afirmou, em julho, que os seus modelos sugeriam que as ondas de calor de maio e junho resultaram em 2.877 mortes relacionadas com o calor.  

Em maio, a Organização Mundial da Saúde afirmou que a mortalidade relacionada com o calor na região europeia aumentou mais de 30% nos últimos vinte anos.   

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