"Aqui temos de lutar": Um mês depois da entrada de migrantes em Ceuta, habitantes protestam pelo regresso à normalidade
População defende a expulsão dos migrantes que permanecem em território espanhol.
Há um mês, 72 mil migrantes atravessaram a fronteira de Marrocos com Ceuta, dando início a uma crise migratória. A maioria já regressou ao país de origem, mas as ruas continuam cheias de marroquinos e veem-se dezenas de tendas, onde pernoitam. As consequências económicas estimadas já chegam aos 33 milhões de euros, com o turismo e o comércio fortemente afetados. Este domingo, os habitantes do território espanhol manifestaram-se mais uma vez, exigindo o regresso à normalidade e o retorno dos migrantes. "Isto é Ceuta. Aqui temos de lutar", gritaram.
Durante esta tarde, cerca de 300 pessoas realizaram um protesto pacífico, desde a Praça de África até à sede do governo. Pelo caminho, fizeram-se ouvir: "Ceuta não é um CETI [Centro de Estadia Temporária para Imigrantes]". Exigem a expulsão dos "invasores".
No fim do trajeto, reivindicaram que o executivo cumprisse a promessa de resolver a crise migratória. Exigiram ainda a demissão do delegado do governo, Miguel Ángel Pérez Triano, e encenaram a sua "morte política" com o gesto simbólico de um minuto de silêncio de costas para a sede.
Esta é mais uma tentativa de obter respostas, depois de relatarem um "sentimento de abandono", cita a imprensa espanhola. Está marcada para quarta-feira outra manifestação.
O domingo também ficou marcado pela "Armada de Solidariedade", uma iniciativa civil vinda de vários portos da Andaluzia. Cerca de 50 barcos rumaram a Ceuta para uma demonstração de apoio, recebidos por cerca de 30 embarcações locais. Com o mesmo propósito, um grupo de motas percorreu uma parte da cidade com bandeiras de Espanha e de Ceuta, ecoando "Viva Espanha".
Durante as manifestações de apoio, a Guarda Civil espanhola deteve oito migrantes por terem levantado bandeiras marroquinas junto da Armada de Solidariedade, de acordo com a Associated Press.