Antonelli, o herdeiro de Hamilton que antecipou o futuro da Fórmula 1
Com apenas 20 anos, Kimi é o campeão mais jovem de sempre e o primeiro nascido no século XXI.
Kimi Antonelli chegou à Fórmula 1 pela mão da Mercedes e, apenas duas temporadas depois, sagrou-se este fim-de-semana campeão mundial, aos 20 anos e dois meses, o mais jovem de sempre e o primeiro nascido no século XXI.
O italiano retirou ao alemão Sebastian Vettel um recorde que resistia desde 2010, quando o então piloto da Red Bull conquistou o primeiro dos seus quatro títulos aos 23 anos, quatro meses e 11 dias. A diferença supera os três anos e traduz a rapidez de um percurso construído entre títulos nas categorias de formação e promoções antecipadas.
A consagração de Antonelli termina também com uma espera de 73 anos para Itália, que não celebrava um campeão mundial de pilotos desde Alberto Ascari, vencedor em 1952 e 1953. Antes, Giuseppe Farina tinha conquistado a edição inaugural do campeonato, em 1950.
Nascido em Bolonha, em 25 de agosto de 2006, Andrea Kimi Antonelli cresceu próximo dos circuitos, por influência do pai, Marco, antigo piloto e responsável por uma equipa de competição. Começou a competir no karting aos sete anos e acumulou resultados que despertaram a atenção da Mercedes.
Apesar da associação imediata ao finlandês Kimi Räikkönen, campeão mundial em 2007, o segundo nome do italiano não foi escolhido em homenagem ao antigo piloto: resultou de uma sugestão de um amigo da família.
A ligação à Mercedes começou em 2019, quando tinha 12 anos. Antonelli recordaria mais tarde que recebeu o telefonema de Toto Wolff, responsável pela equipa, enquanto seguia de carro com o pai, num momento que marcou a entrada no programa de jovens pilotos da marca alemã.
Seguiram-se os títulos europeus de karting de 2020 e 2021 e uma passagem igualmente produtiva pelos monolugares. Em 2022, conquistou os campeonatos italiano e alemão de Fórmula 4; no ano seguinte, venceu a Fórmula Regional do Médio Oriente e a europeia.
A progressão levou-o diretamente à Fórmula 2 em 2024, sem passar pela Fórmula 3. Pela Prema, venceu a corrida sprint de Silverstone e a principal da Hungria, resultados que reforçaram a confiança da Mercedes para lhe entregar o lugar deixado pelo britânico Lewis Hamilton, a caminho da Ferrari.
Substituir um heptacampeão mundial aos 18 anos significava assumir uma responsabilidade pouco habitual para um estreante. O primeiro contacto com um fim de semana de Fórmula 1, nos treinos livres de Monza de 2024, terminou com um acidente, antecipando uma aprendizagem que não seria isenta de dificuldades.
A estreia em corrida, na Austrália, em 2025, revelou a outra face do jovem italiano: partindo de 16.º, terminou em quarto. Nesse ano, conquistou a primeira posição da grelha para a sprint de Miami e subiu pela primeira vez ao pódio de um grande prémio no Canadá.
A velocidade conviveu, porém, com erros e dúvidas. Ao recordar o período mais difícil da temporada de estreia, Antonelli reconheceu ter sentido que estava a desiludir quem confiara nele, sobretudo Wolff.
"Deixei que a pressão me destruísse um pouco", admitiu, numa reflexão divulgada pelo sítio oficial do campeonato. Uma reunião com a equipa ajudou-o a recuperar a confiança, antes de terminar o ano com novos pódios no Brasil e em Las Vegas.
Ficou marcado pelo título de Lando Norris, pois na derradeira corrida da temporada, em Abu Dhabi, não conseguiu resistir ao avanço do piloto britânico que, com a ultrapassagem ao italiano, garantiu os pontos suficientes para conquistar o primeiro título da carreira.
Sétimo no Mundial de 2025, com três pódios, o italiano apresentou-se em 2026 preparado para disputar vitórias e transformar a regularidade numa candidatura ao título. Chegou ao México com nove triunfos e 15 presenças no pódio em 18 corridas.
Entre esses resultados destacou-se a vitória em Monza, conquistada após partir de 19.º, que o tornou no primeiro italiano a vencer o Grande Prémio de Itália em 60 anos. No mesmo circuito onde a estreia nos treinos livres terminara nas barreiras, Antonelli passou a celebrar perante os seus adeptos.
Este domingo, na Cidade do México, o piloto escolhido para suceder a Hamilton tornou-se também campeão mundial pela Mercedes, numa idade em que nenhum dos seus antecessores tinha conseguido conquistar o título. É o primeiro campeão nascido já no século XXI.