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Como a Viagem pelo Clima ganhou um novo impulso

Da distinção no Prémio SME EnterPRIZE nasceram novas parcerias e oportunidades.

Projeto ajuda a mudar hábitos e lançar novos projetos em iniciativas de sustentabilidade.

Há viagens que terminam quando se cruza a meta. E há outras que começam precisamente aí. Ao longo das três edições da , muitos dos participantes regressaram às suas organizações determinados a mudar hábitos, lançar novos projetos ou envolver colegas e comunidades em iniciativas de sustentabilidade. É essa capacidade de transformar uma experiência em motivação para a ação concreta e de impactar a comunidade que distingue este projeto promovido pela .

Esta consultora portuguesa especializada em sustentabilidade, descarbonização e ação climática, desenvolveu a Viagem pelo Clima para mostrar que a transição climática também se constrói através das escolhas do dia a dia. A iniciativa desafia equipas a percorrer vários municípios portugueses numa experiência que combina competição, formação e contacto com projetos locais de sustentabilidade. Ao longo do percurso, os participantes são convidados a tomar decisões que reduzem a sua pegada ambiental e a descobrir soluções que podem replicar nas suas organizações e comunidades. Foi essa abordagem e o impacto demonstrado que lhe valeram a vitória na quarta edição do .

Com este reconhecimento nacional e com a presença na final europeia, em Bruxelas, a iniciativa ganhou uma nova visibilidade e abriram-se portas a novas oportunidades de colaboração. Segundo Maria João Ramos, people partner da Get2C e gestora da Viagem pelo Clima, “a empresa passou a ser mais frequentemente identificada como um caso prático de mobilização para a ação climática”. O que despertou o interesse de mais empresas, municípios e parceiros institucionais para novos projetos de capacitação, estratégias de descarbonização e iniciativas de sensibilização. Ao longo das três edições realizadas, a Viagem pelo Clima demonstrou que uma experiência imersiva pode produzir mudanças duradouras e contribuir para que participantes, municípios, comunidades e empresas se empenhem mais na ação climática.

Transformar olhares

É precisamente essa capacidade de transformação da iniciativa que mais motiva Maria João Ramos. “A Viagem pelo Clima deixa de ser apenas uma competição e torna-se um ponto de viragem na forma como mais pessoas olham para escolhas diárias, mobilidade, consumo e relação com o território”, conta. Em vários casos, acrescenta, participantes da iniciativa assumiram mais tarde papéis de liderança em projetos de sustentabilidade nas organizações onde trabalham.

O impacto da viagem estende-se também aos territórios que acolhem a iniciativa. Em Gouveia foi reativado o Festival da Água; em Faro, alunos vencedores da iniciativa Mini COP, integrada na Viagem, contribuíram para um plano estratégico de sustentabilidade das escolas. No caso de Cascais foram envolvidas mais de duas mil crianças em programas de educação ambiental. Arronches, Mangualde, Penafiel e Torres Vedras são outros exemplos de municípios onde a Viagem pelo Clima ajudou a lançar ou a reforçar iniciativas ligadas à economia circular, gestão de resíduos, mobilidade ou certificação ambiental.

Outro dos pilares da viagem são as “Climate Stories”, que dão visibilidade a pessoas, empresas e projetos locais que desenvolvem soluções sustentáveis longe dos holofotes.  Refira-se que os resultados desta forma de viajar também se reflete em indicadores concretos. Segundo a monitorização da Get2C, as equipas participantes alcançaram uma redução média de 47% das emissões de CO2 face a uma viagem convencional em transporte individual. Paralelamente, e em relação com a Viagem, mais de 1.500 pessoas utilizaram a aplicação Get2Zero for People para calcular a sua pegada carbónica individual.

Da vontade à ação

Para Jorge Cristino, partner da Get2C, estes resultados mostram que existe uma vontade crescente de agir, mas também evidenciam um desafio comum a muitas organizações interessadas em apostar na sustentabilidade: transformar intenção em execução.

Para este responsável, “o que falta, em grande medida, é capacidade prática: medir de forma simples, identificar prioridades e transformar riscos em oportunidades concretas de inovação e melhoria operacional.” Daí a ideia que resume numa frase: “Sem medir, não há sustentabilidade.”

Passámos a ser mais frequentemente identificados como um caso prático de mobilização para a ação climática. Maria João Ramos, people partner da get2c e gestora da viagem pelo clima.
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