Neto de imigrantes e mentor da separação de famílias na fronteira: quem é o novo chefe de gabinete de Trump?
Stephen Miller foi esta sexta-feira nomeado chefe de gabinete da Casa Branca. Apesar de ser neto de imigrantes judeus, é conhecido por ser o "arquiteto" das medidas anti-imigração mais rígidas de Trump.
O presidente dos Estados Unidos nomeou esta sexta-feira Stephen Miller - o autor das medidas anti-imigração mais controversas de Trump - para chefe de gabinete da Casa Branca. Até aqui, Miller era vice-chefe de gabinete e um dos principais assessores e conselheiros de Donald Trump. Passará a assumir funções na segunda-feira. Mas afinal, quem é o advogado apontado como o arquiteto linha dura?
Nascido numa família de imigrantes
Stephen Miller nasceu a 23 de agosto de 1985, em Santa Monica, Califórnia, e é responsável pela criação das medidas anti-imigração mais rígidas adotadas por Trump.
O advogado, de 41 anos, cresceu no seio de uma família judia. A mãe, Miriam, é descendente de Wolf-Leib Glosser, que deixou uma aldeia na Bielorrússia para embarcar rumo à cidade de Nova Iorque. À ABC, o tio David Glosser, e irmão de Miriam, contou como se sentiu traído pelo sobrinho.
"É uma rejeição completa de praticamente tudo o que a nossa família, a nossa história familiar e os nossos valores e princípios representaram", considerou.
Durante a campanha eleitoral de Trump, em 2024, Miller foi enviado para a pequena cidade de Johnstown, na Pensilvânia, onde a família Glosser se estabeleceu. À multidão disse: "Esta cidade está no meu sangue, está nos meus ossos, nas minhas veias. Gerações da minha família estão enterradas nesta terra."
Alvo de uma curta-metragem na escola
Ainda em adolescente, Miller já demonstrava interesse pela política e defendia posições conservadoras. Aos 16 anos, chegou até a escrever uma carta para um jornal estudantil local onde criticava a falta de patriotismo na escola onde estudava. Na mesma, defendia ainda que os estudantes latinos deveriam falar inglês e criticou os professores ao dizer que "insultavam e humilhavam o presidente".
Ainda quando estava no ensino secundário, os colegas de turma fizeram até uma curta-metragem sobre ele a que apelidaram de Strange Times at Samohi (Tempos Estranhos em Samohi). Uma das propostas que fez aos colegas chegou até a ser incluída no documentário amador. "Direi e farei coisas que ninguém na sua consciência diria ou faria", disse.
Nessa campanha, defendeu até que os alunos não deveriam ser obrigados a recolher o lixo porque há pessoas "pagas para fazer isso por nós".
Miller já sabia nessa altura que era diferente: era opinativo e rebelde. Chegou até a ser presença constante num programa de rádio de alcance nacional, onde falava para um público conservador. Segundo alguns relatos, quando terminou o ensino secundário, já tinha participado naquele mesmo programa cerca de 70 vezes.
Na Universidade Duke, na Carolina do Norte, onde se formou em Ciências Políticas em 2007, fez parte de grupos conservadores e, depois de se formar, começou logo a trabalhar como assessor de parlamentares republicanos no Congresso americano. Um dos principais nomes com quem trabalhou foi o então senador Jeff Sessions, do Alabama, conhecido pela sua política dura de imigração.
Responsável por ter separado crianças dos pais que entravam no país
Miller, aos 31 anos, já estava na Casa Branca e hoje é um dos assessores mais antigos de Trump. Esteve, aliás, presente desde a primeira campanha eleitoral do republicano.
No primeiro mandato, o advogado acumulou ainda funções de conselheiro sénior e, desde então, tem vindo a ser uma figura central em muitas das decisões políticas tomadas pelo presidente, no que toca à imigração.
Stephen Miller não só foi considerado o "pai" ou o "arquiteto" da construção do muro que separa os Estados Unidos do México - uma obra que ainda está inacabada -, como também foi responsável por ter proibido a entrada de cidadãos de países de maioria muçulmana nos EUA.
Em 2018, foi quem esteve por detrás da medida que passou a separar milhares de crianças das famílias que tentavam entrar ilegalmente no país. Ainda hoje, existem centenas de menores que não se reuniram com os pais.
O advogado também ajudou a escrever muitos dos discursos linha-dura de Trump e esteve à frente da elaboração de uma das grandes promessas de campanha: fazer a maior deportação da história dos EUA.
Quando Donald Trump deixou a Casa Branca, Miller atuou como presidente da America First Legal - uma organização de ex-conselheiros do republicano que contesta o governo de Joe Biden, empresas de comunicação social, universidades e questões como liberdade de expressão, religião e segurança nacional.