As welcome drinks
Em 99% dos casos o luxo vem acompanhado de uma narrativa - palavras que o vento leva para longe
O luxo é como o diabo, está nos detalhes (e nos planos de negócio, claro). Hotéis que se apresentam capazes de proporcionar experiências luxuosas normalmente apostam num serviço cuidado, próximo do hóspede, aludindo até a uma certa ideia de casa, colo e/ou ninho (também apostam em mobiliário escandinavo dos anos 70, peças de decoração únicas em macramé e derivados e chaleiras e frigoríficos da Smeg ou semelhantes mas, bom, isto já é o capitalismo a falar).
Em 99% dos casos o luxo vem acompanhado de uma narrativa - palavras bonitas que o vento muitas vezes leva para longe, lá para os lados da piscina onde as espreguiçadeiras são disputadas a la Benidorm, para os lados dos insufláveis (que, contratados para calar as crianças, na verdade as põem a gritar) e para os lados dos pequenos-almoços em modo buffet (o cruzamento do tempo e do espaço em que um ser humano mais se parece com um animal por domesticar).
Há, contudo, um momento em que uma certa sensação de luxo trabalha ao nível da epiderme do hóspede. A welcome drink é uma espécie de sistema de boas-vindas que já induz uma espécie de felicidade temperada com gratidão. Por regra, a welcome drink é uma bebida alcoólica que é servida no momento do check in ou um pouco antes ou depois - a ideia é que seja uma antecâmara da experiência. Num júbilo etílico, que experiência desilude?
O certo é que, dependendo do hotel, essa welcome drink pode ser servida ou prometida. No caso da segunda opção, é preciso atentar a uma questão: pedir um cocktail a troco de uma senha é talvez a coisa mais parecida com voltar a uma queima das fitas que um adulto pode experienciar. Para evitar o constrangimento e a depressão de reclamar uma bebida que podemos pagar mas que nos foi inicialmente oferecida, lá se vai a senha para o lixo - e, bom, que luxo.
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