Universidade Nova abre polo de investigação de música no Palácio Nacional de Mafra
"Vamos cruzar competências das artes e da cultura com as competências tecnológicas que podem ser aplicadas às artes", referiu a pró-reitora .
A Universidade Nova de Lisboa inaugura, no dia 10, um polo de investigação no Palácio Nacional de Mafra, onde vai ter laboratórios e um projeto de digitalização do património ligados à música, disse fonte da reitoria.
"Este polo não existia antes com as mesmas capacidades técnicas e vai ter condições de acolhimento e de trabalho", afirmou à agência Lusa a pró-reitora para a Cultura, Impacto Social e Comunidades, Elsa Peralta.
O espaço associado ao Instituto de Arte e Tecnologia vai ter laboratórios de acústica musical, informática musical e património digital, cujos equipamentos foram financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, além de outras três salas de trabalho, com capacidade para dez investigadores.
"Vamos cruzar competências das artes e da cultura com as competências tecnológicas que podem ser aplicadas às artes", referiu.
No espaço vão trabalhar também investigadores ligados a um projeto de digitalização do património musical, um programa desenvolvido em articulação entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas dedicado à aplicação de tecnologias digitais à documentação, preservação e valorização do património cultural.
O polo vai beneficiar da proximidade ao Museu Nacional da Música, que ocupa outro espaço do monumento, e ao Arquivo Nacional do Som, a ser construído na vila, criando condições favoráveis à colaboração da universidade com estas instituições musicais.
O trabalho laboratorial está associado à atividade académica, mas vai existir programação cultural e atividades formativas abertas à comunidade, como 'workshops' e cursos de verão, existindo para tal um auditório com capacidade para meia centena de pessoas.
"Queremos gerar conhecimento e desenvolver o território", sublinhou Elsa Peralta.
Resultante de uma parceria estabelecida em 2021 com o Município de Mafra, o polo tem na música a sua matriz, enquanto campo de investigação, inovação e criação, mas também enquanto património material e imaterial, inscrito em monumentos, arquivos, repertórios, práticas, espaços e memória sonora.
"Ao cruzar a nossa forte herança musical --- viva nos nossos órgãos históricos, carrilhões ou na riquíssima tradição das nossas bandas filarmónicas --- com a inovação digital e a investigação científica, estamos a elevar a música de Mafra a uma nova dimensão, gerando um impacto cultural e educativo que enriquece todo o nosso território", afirmou Hugo Moreira Luís, presidente da Câmara Municipal de Mafra, citado em nota de imprensa.
O contrato de comodato entre o Município e a Universidade Nova de Lisboa é válido por dez anos, podendo ser renovado.
A Fundação Jorge Álvares cedeu ao polo um piano de cauda Steinway & Sons, de 1889, homenageando o pianista e compositor Filipe de Sousa, que residiu em São Miguel de Alcainça, no concelho de Mafra, nos últimos anos de vida, e que morreu em 2006.