TAP: Tripulantes de cabine querem saber se estão salvaguardados os postos de trabalho
Sindicato lamenta que os trabalhadores nunca tenham sido ouvidos neste processo.
O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) quer saber se a entrada da Lufthansa como acionista da TAP irá salvaguardar os postos de trabalho na companhia e lamentou que os trabalhadores não tenham sido ouvidos.
Em declarações à Lusa, Ricardo Penarroias, presidente do sindicato, disse que aquilo que preocupa os profissionais é "perceber se estão salvaguardados alguns dos pressupostos" que para a estrutura são "importantíssimos", como "a salvaguarda dos postos de trabalho".
Segundo o líder do sindicato, a maior salvaguarda para os trabalhadores neste âmbito é ainda o facto de não ter avançado o pacote laboral.
O dirigente sindical quer também saber se ficam garantidos "os interesses da companhia".
O presidente do SNPVAC lamentou ainda que nunca tenham sido ouvidos os trabalhadores neste processo.
"A responsabilidade é do Governo que tomou essa decisão", indicou, apontando que "foi uma boa propaganda e o Governo acabou por aceitar a proposta financeiramente mais atrativa".
Mas o responsável questiona se a parte financeira foi mais considerada do que a questão de se este é "o projeto mais atrativo" e que tenha em conta as "necessidades da TAP".
"Uma das características da Lufthansa é essa centralização do poder e da decisão central ser na Alemanha", destacou, apontando que estão na "expectativa de perceber até que ponto é que os interesses da Lufthansa, casa-mãe, sejam os mesmos interesses que a TAP".
Penarroias diz ainda que há muitas perguntas no ar após esta decisão, nomeadamente sobre a situação dos montantes que a TAP pode ter de pagar à Azul.
O Governo selecionou hoje a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.
A decisão, anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.
"Com esta decisão, o Governo concluiu com sucesso a primeira fase da privatização da companhia aérea", referiu Montenegro.
O primeiro-ministro destacou ainda que ambas "as propostas eram robustas e muito equivalentes", sublinhando que asseguravam o reforço do 'hub', a manutenção das rotas dos países lusófonos, bem como "o respeito pelos trabalhadores e sustentabilidade financeira [da TAP] a médio e longo prazo".
Na escolha pesou, sobretudo, a proposta financeira da Lufthansa, superior em 163 milhões de euros, ou 16%, à da Air France-KLM, tendo sido também avaliados os investimentos associados, nomeadamente na frota, e o modelo de governação proposto.