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PS acusa Chega de estar contra as famílias no arrendamento e responsabiliza-o por futuros despejos

Lusa 14 de outubro de 2026 às 20:00

Chega viabilizou a proposta do Governo para alterar a lei do arrendamento.

O PS acusou esta quarta-feira o Chega de estar ao lado de interesses privados e contra as famílias ao apoiar as alterações propostas pelo Governo ao regime do arrendamento urbano e afirmou que será responsabilizado por futuros despejos.

Casas Habitação DR

Esta posição foi assumida na Assembleia da República pelo deputado Luís Testa, numa declaração política em plenário que suscitou, por parte dos partidos à direita, mas também do PCP, críticas às políticas de habitação dos anteriores governos do PS chefiados por António Costa, entre 2015 e 2024.

Luís Testa sustentou que as medidas adotadas até agora pelo executivo PSD/CDS-PP fizeram aumentar os preços da habitação e contestou as alterações que estão em curso ao regime do arrendamento urbano, através de uma proposta de autorização legislativa aprovada na generalidade com votos a favor também da IL e a abstenção do Chega.

"O Chega vai ser responsabilizado por aquilo que vai acontecer a centenas e a milhares de portugueses despejados, sem razão, sem moral, vítimas de uma lei que vossas excelências aprovaram", afirmou o deputado do PS.

"Nós somos deputados da República para defender o interesse público, não é para defender os interesses privados de abutres, fundos que ninguém conhece e que jogam com a vida dos cidadãos portugueses", acrescentou.

Segundo Luís Testa, ao propor-se "mais rendas antecipadas, eliminar o limite da caução, pôr o fim ao travão na atualização das rendas e facilitar o despejo, o que se está a preparar é levar mais pessoas ao incumprimento" e o acesso ao arrendamento ficará "ainda mais dependente da capacidade financeira de cada família".

O deputado do PS argumentou que "a habitação não pode transformar-se num privilégio" e considerou que "a pergunta sacramental nos dias de hoje é onde é que está o Chega no meio deste debate, de que lado está".

"Quem todos os dias enche a boca para dizer que protege os cidadãos comuns, neste debate concreto, está ao lado dos proprietários, dos fundos abutres e daqueles que jogam no mercado habitacional como se jogassem na roleta russa contra as famílias, contra os jovens, contra os mais vulneráveis, contra as pessoas", acusou Luís Testa.

Pelo Chega, a deputada Vanessa Barata respondeu que o seu partido "está ao lado das pessoas e vai continuar" e imputou ao PS "responsabilidades sérias" na criação de "uma crise habitacional sem precedentes" pelas políticas que aplicou quando governou, entre as quais destacou o "arrendamento forçado" de casas devolutas.

"Vamos a factos: em 2016, quando o PS assumiu o Governo, era possível comprar uma casa de 80 metros quadrados por 67 mil euros. Em 2020, por 92 mil. E em 2025, um ano depois do PS sair, a mesma casa custa 166 mil euros -- um aumento global de 147% no preço das habitações", referiu.

A deputada do Chega enquadrou a posição do PS em matéria de habitação no "manual da extrema-esquerda" e desafiou-os a largar essa "cartilha" que "diaboliza os senhorios" e "tenta impor à força medidas que já se provou que não funcionam".

CDS-PP e IL acusaram o PS de perseguição aos proprietários e senhorios e ao alojamento local durante a sua governação. O PSD alegou que medidas coercivas em matéria de arrendamento afastam os proprietários do mercado e defendeu que a resposta passa por mais oferta pública e privada.

Luís Testa retorquiu que "o Governo atua como se fosse um agente imobiliário invertido, ou seja, coloca-se do lado dos proprietários, veste a sua pele", e que "alojamento local não é habitação".

Dos partidos à esquerda, houve contestação à proposta do Governo, mas o PCP apontou igualmente o dedo ao PS, acusando-o de promover especulação e desproteger os inquilinos enquanto governou, e de agora viabilizar as políticas da direita ao abster-se em relação ao Orçamento do Estado para 2027.

O líder parlamentar do CDS-PP desafiou o PS a propor, em sede de debate orçamental, a revogação da isenção de IMT e de imposto de selo na compra da casa pelos jovens, já que critica essa medida.

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