Moedas recusa guerra com Governo mas diz-se alarmado com situação da segurança em Lisboa
O autarca recordou dois casos recentes na cidade de Lisboa para defender que "algo vai mal" no domínio legislativo.
O presidente da Câmara de Lisboa afirmou esta sexta-feira estar alarmado com a situação da segurança na capital, mas recusou estar em guerra com o Governo ou com qualquer ministro sobre este tema, insistindo na necessidade de mais polícias.
O vice-presidente do PSD e presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, participou hoje num painel sobre habitação, acompanhado do eurodeputado e também 'vice' Sebastião Bugalho, na Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação política de jovens, que decorre até domingo em Castelo de Vide (Portalegre).
Um dia depois de se ter reunido com o ministro da Administração Interna, Moedas dedicou parte do seu discurso à segurança, referindo que, desde 2010, a população de Lisboa cresceu cem mil pessoas e perdeu 2.000 polícias.
"Não nos faltam 200 polícias, faltam-nos dois mil polícias. Essa é que é a realidade. E os números têm que ser ditos", insistiu.
No entanto, o autarca e dirigente do PSD disse ter a certeza que esta não era apenas uma luta sua, nem dos autarcas, mas de todo o país.
"Eu não estou em guerra nem com o Governo, nem com nenhum ministro. A minha guerra é só uma. É a segurança em Lisboa (...) Ninguém está em guerra com ninguém. Estamos todos de acordo e temos que caminhar nesse sentido", assegurou.
Carlos Moedas afirmou que Lisboa "é uma cidade segura", mas alertou que, se há dois anos estava preocupado, hoje começa "a estar alarmado".
"Em 2022, lembram-se bem como eu fui criticado, atacado, até insultado por falar em segurança. Falei em segurança na cidade de Lisboa e todos viraram contra mim. Disseram-me: não fales de segurança, não podes falar de segurança, isso é uma coisa que é para a extrema-direita", referiu.
O autarca recordou dois casos recentes na cidade de Lisboa para defender que "algo vai mal" no domínio legislativo.
"Quando nós temos uma senhora que leva um tiro na Baixa e em que a pessoa que lhe dá o tiro ainda está em liberdade, há algo que vai mal no nosso país. Quando nós temos um homem que lhe tentam roubar o relógio e ele tenta fazer justiça pelas próprias mãos, há algo que vai mal", frisou, recebendo aplausos.
O autarca insurgiu-se também contra a libertação de vendedores de droga falsa na baixa lisboeta, defendendo que "a lei tem que mudar".
"Porque sem lei quem manda são os mais fortes. E sem ordem os mais vulneráveis não saem de casa", disse.