O Bom, o Mau e o Capitão
Os meus “fregueses” preferidos, além de uma berraria insana (que traduz, salvo melhor opinião, a ausência de algo inteligente para dizerem), acusam-me de fazer stand-up comedy. Ora, desprovido que sou do muito talento que requer a actividade circense, fico-me pela acusação de fazer comédia.
Atrevo-me a adaptar o título de um dos mais míticos westerns já realizados; “O Bom, o Mau e o Vilão” de Sergio Leone.
Antes ainda de explicar a ousadia, sublinho que tenho resistido a apelos (até mesmo editoriais) para escrever memórias, ainda que sob a forma de episódios de contornos interessantes e/ou divertidos. Para além de entender que isso é coisa para fim de festa - desenganem-se aqueles a quem desagrado, porque, no que de mim depender, o epílogo ainda não está no prelo – seria uma tremenda arrogância; memórias exigem um estatuto que não tenho e, suspeito, jamais virei a ter. Acresce que, dada a acidez que me ataca quando olho o fenómeno político contemporâneo, penso que para a corrosão do que ainda há de dignidade na acção política já temos a subida honra de ter um partido a isso consagrado (à dita corrosão) em regime de quase exclusividade. Se não nos precatarmos, a hipótese de sucesso nem sequer é delirante, desgraçadamente.
Mas voltemos ao mítico filme de Leone… Para minha surpresa (digo-o sem hipocrisia), o estilo que uso no debate político (e que não sabia se ainda “encaixaria”, volvidos vinte anos) gerou algum debate. Evidentemente que a proporção do mesmo foi ínfima para a humanidade, mas foi gigante para o homem (adulterando, desta vez, as palavras de Neil Armstrong). Vamos, então, ao tema.
Os meus “fregueses” preferidos, além de uma berraria insana (que traduz, salvo melhor opinião, a ausência de algo inteligente para dizerem), acusam-me de fazer stand-up comedy. Ora, desprovido que sou do muito talento que requer a actividade circense, fico-me pela acusação de fazer comédia. Em primeiro lugar, creio que mal está o acusador que tem apenas humor como razão de queixa; é na prática uma ausência de argumentos opostos ou do que quer que seja de substantivo.
Depois, é fantasia que não cumprirei a de entrar no jogo do insulto, da mentira e do afrontamento de porta de bar. Contra a falta de respeito, sempre elevação. Além disso e como tenho defendido, o que é ridículo tem de ser ridicularizado.
Entremos agora nos que fazem observações construtivas (a quase totalidade, devo dizer). Para alguns, tenho sido o “Bom”. Sob pena de mudar o nome para Narciso, agradeço e fecho o parágrafo.
Para outros, tenho sido o “Mau”. Ora porque o tom é demasiado heterodoxo, ora porque o Parlamento é um lugar sério, ora ainda porque o estilo, quando repetido, pode ficar colado como tatuagem permanente.
Começo pelo fim. Concordo! Há um misto de escassez de outras oportunidades (em breve serei formal e canónico, prometo) e de persistência dos mesmos “clientes” nesta equação. Mas, como disse, é verdade que a ironia e o humor, sendo armas contundentes, têm de ser usadas com critério. Nunca serei Voltaire ou Zelensky, tendo por isso que ter este pensamento presente.
Claro que, neste grupo de pessoas, há os que nunca gostaram deste vosso criado ou do estilo de intervenção. Impõe-se, por isso, um derradeiro parágrafo.
E tem este a ver com um detalhe raramente equacionado nas análises que muito me honram: sou assim… Não represento e tenho dificuldade em deixar de ser eu. Acresce que “burro velho não aprende línguas” ou, dito de outra maneira, estou velho para mudar. Há o “Bom”, o “Mau” e… o “Capitão”. Veremos como acaba o filme…
O Bom, o Mau e o Capitão
Os meus “fregueses” preferidos, além de uma berraria insana (que traduz, salvo melhor opinião, a ausência de algo inteligente para dizerem), acusam-me de fazer stand-up comedy. Ora, desprovido que sou do muito talento que requer a actividade circense, fico-me pela acusação de fazer comédia.
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