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Mais de 70 mil mortes e 70% de ocupação israelita em Gaza: Três anos do 7 de outubro em números

Marta Rodrigues 07 de outubro de 2026 às 07:00

Assinala-se esta quarta-feira o terceiro ano desde o ataque levado a cabo pelo Hamas que desencadeou a guerra.

O conflito entre Israel e a Palestina tem décadas, mas foi há três anos, a 7 de outubro de 2023, que um ataque do Hamas desencadeou a escalada da violência a que temos vindo a assistir. Registam-se mais de 70 mil mortes e um nível de destruição crescente, no que a Organização das Nações Unidas (ONU) considera ser um genocídio levado a cabo por Israel. O apuramento de dados sobre o conflito é complexo já que os meios de comunicação também foram afetados e muita da informação vem das partes envolvidas no conflito, mas a SÁBADO reuniu alguns dos principais números conhecidos que caracterizam os últimos três anos na Faixa de Gaza.  

Funeral coletivo em Gaza após recuperação de restos mortais de palestinianos mortos na guerra AP

74.018 mortes  

Desde 7 de outubro de 2023, registam-se 74.018 mortes na Palestina, de acordo com o balanço de 29 de setembro da agência palestiniana WAFA. A 10 de outubro de 2025, foi acordado um cessar-fogo, mas, desde então, mais 1.400 palestinianos morreram.  

175.079 feridos 

Segundo a WAFA, os ataques já deixaram 175.079 pessoas feridas.  

1.8 milhões de deslocados  

Cerca de 1,8 milhão de pessoas (86% da população), tiveram de ser deslocadas das suas casas, pelo menos uma vez. Vivem agora em 1.739 locais de deslocamento, avançou o Conselho Dinamarquês para Refugiados (DRC), a 1 de outubro.  

Em setembro, 65% das famílias vivia em tendas ou abrigos improvisados, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês).  

70% de território ocupado  

As forças israelitas ocupam atualmente 70% do território palestiniano.  

Milhares de casas instáveis  

É difícil saber o valor exato do número de casas destruídas ou parcialmente destruídas, mas a OCHA aponta que pelo menos cerca de 2.300 famílias vivem atualmente em edifícios inseguros que precisam de demolição.  

47% de hospitais inoperacionais 

Até agosto, 19 dos 36 hospitais de Gaza (53%) estavam a funcionar, mas apenas parcialmente, de acordo com o balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nenhum dos hospitais montados no terreno está totalmente operacional.  

A OMS reporta também 817 ataques a instalações médicas, 36 a hospitais e 386 a ambulâncias.  

Milhares com fome, subnutrição ou outros problemas de saúde 

A OMS contabiliza 804 pessoas em subnutrição, apenas este ano. Mais de 2 mil pessoas foram diagnosticadas com algum tipo de cancro, por ano; cerca de 45 mil com doenças cardiovasculares; e um milhão com problemas de saúde mental.  

A OCHA prevê que, a partir deste mês, a confeção e distribuição de refeições quentes venha a diminuir consideravelmente devido a falta de financiamento. 

No balanço de agosto, a OMS dá conta de cerca de 50 mil mulheres grávidas, que não têm acesso a serviços essenciais. 

700 mil crianças sem acesso a educação e 98% de escolas danificadas 

Em abril, a UNICEF avançou que cerca de 98% das escolas em Gaza estavam danificadas; cerca de 93% dos edifícios escolares precisava de uma reabilitação massiva ou de reconstrução total; e cerca de 81% das instituições de ensino foram atingidas diretamente nos ataques. Cerca de 700 mil crianças, dos 4 aos 17 anos, deixaram de ir à escola nos últimos três anos.  

60 milhões de toneladas de destroços  

O terreno acumula cerca de 60 milhões de toneladas de destroços, segundo a UNICEF, que dificultam a circulação, seja para obter comida, seja para as crianças irem para a escola. Entre os escombros, estão muitas vezes explosivos escondidos, tornando qualquer deslocação num risco de vida.  

247 jornalistas mortos  

O conflito em Gaza já matou 247 jornalistas, feriu 174 e outros 118 estão detidos, avança o Comité Para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). "Israel está a realizar o esforço mais mortal e deliberado para matar e silenciar jornalistas que o CPJ já documentou. Jornalistas palestinianos estão a ser ameaçados e assassinados pelas forças israelitas, sendo detidos e torturados arbitrariamente em retaliação pelo seu trabalho. Israel destruiu sistematicamente a infraestrutura da comunicação social em Gaza e endureceu a censura em toda a Cisjordânia e Israel. Dentro de Gaza, jornalistas relatam assédio e intimidação por parte do Hamas", documenta o CPJ. 


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