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UE avisa que acordo de gasóleo russo traz "mais recursos" para alimentar a guerra

Lusa 10 de outubro de 2026 às 16:06

"Este não é o momento para aliviar a pressão sobre a Rússia e a Europa não o fará", declarou a alta-representante da UE para os Negócios Estrangeiros.

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, alertou este sábado que o acordo de fornecimento de gasóleo russo entre Estados Unidos e Rússia proporciona a Moscovo "mais recursos para a guerra" na Ucrânia.

08 October 2026, Lebanon, Beirut: European Union Foreign Policy chief Kaja Kallas speaks during a joint press conference with Lebanese Marwan Naamani / AP

"Este não é o momento para aliviar a pressão sobre a Rússia e a Europa não o fará", declarou a alta-representante da UE para os Negócios Estrangeiros.

Kaja Kallas recordou que os ataques russos resultaram na morte de mais de 80 civis ucranianos em dois dias e que Moscovo "intensificou os seus ataques híbridos contra a Europa, visando tanto os Estados-membros da UE como os aliados da NATO [aliança do Atlântico Norte]".

A dirigente comunitária indicou que, na segunda-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE "pretendem aprovar o maior conjunto de listas de sanções contra a máquina de guerra russa desde o início do conflito", provocado pela invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Os Estados Unidos autorizaram temporariamente, na sexta-feira, a venda, entrega, descarga e importação de gasóleo de fabrico russo, incluindo a sua entrada no mercado norte-americano, até 07 de abril de 2027, apesar das sanções impostas a Moscovo.

O Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) mantém, no entanto, restrições aos pagamentos através de contas de três instituições financeiras estatais russas.

A medida foi justificada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, como um esforço para conter a escalada de preços dos combustíveis desde o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, em 28 de fevereiro.

Segundo o líder da Casa Branca, a Rússia aceitou libertar de imediato 300 mil toneladas de gasóleo "para o mercado americano e global", seguidas de 500 mil toneladas em novembro e mais um milhão posteriormente.

Após o anúncio deste acordo, a Rússia lançou um forte ataque em Zaporijia, no sudeste da Ucrânia, que matou pelo menos 15 pessoas, incluindo três crianças, segundo as autoridades locais.

Em reação, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, considerou que a Rússia "expressou a sua gratidão" a Washington pelo levantamento de sanções petrolíferas através de novos bombardeamentos contra o seu país.

"Hoje, a Rússia expressou a sua gratidão pelo levantamento das sanções às exportações de gasóleo lançando cinco bombas sobre edifícios residenciais em Zaporijia", escreveu Zelensky nas redes sociais.

Anteriormente, Zelensky já tinha considerado, em declarações à imprensa, que a decisão era injusta e "imprópria de um aliado".

A Ucrânia visou, pelo seu lado, um terminal petrolífero na região de Rostov, no sul da Rússia.

O ataque causou um incêndio num terminal de armazenamento e bombagem de combustível da refinaria de Novoshakhtinsk, que já tinha sido atingida por drones ucranianos em 09 de julho, de acordo com o canal independente russo Astra.

Além de Kaja Kallas, o acordo entre Moscovo e Washington foi recebido com protestos da Alemanha.

"O Governo alemão mantém as decisões de sancionar a Rússia e trabalha, conjuntamente com os parceiros europeus, em novas sanções", declarou o porta-voz do chanceler alemão, Friedrich Merz, à agência francesa AFP.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou por sua vez solidariedade à Ucrânia, durante uma chamada com Zelensky face "aos ataques em curso" da Rússia.

Trump falou por telefone na sexta-feira com o homólogo russo, Vladimir Putin, que "acolheu com compreensão" propostas de Washington para uma diminuir tensões na Ucrânia, segundo o porta-voz do Kremlin.

Dmitri Peskov não adiantou pormenores sobre a natureza das propostas do líder norte-americano, mas disse que uma "grande parte" da conversa foi dedicada à procura de uma saída para o conflito.

Os esforços diplomáticos sob mediação de Washington para pôr fim a mais de quatro anos de ofensiva russa na Ucrânia encontram-se atualmente num impasse.

A visita em setembro dos emissários norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner a Moscovo e posteriormente, de modo inédito, a Kiev não resultou em qualquer anúncio concreto.

Uma equipa de negociadores ucranianos encontra-se em Miami, no estado da Florida, para prosseguir as conversações com Washington iniciadas na sexta-feira.

Foram também convidados conselheiros de segurança nacional da França, Alemanha e Reino Unido, bem como representantes da União Europeia e da NATO.

A Rússia aumentou os bombardeamentos contra a Ucrânia nos últimos meses, provocando um número elevado de vítimas civis.

A Ucrânia também intensificou os ataques contra a Rússia, visando sobretudo infraestruturas de armazenamento e transporte de hidrocarbonetos, armazéns comerciais e centros de dados, com o objetivo de atingir a economia russa e o seu esforço de guerra.

Recentemente, Trump criticou a Ucrânia por provocar o aumento dos preços do gasóleo devido aos ataques contra refinarias russas, antes das eleições intercalares para o Congresso norte-americano, no início de novembro.

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