NAZA: Netanyahu ordena identificação dos entrevistados no documentário
Netanyahu pediu “uma investigação criminal por graves crimes de segurança da informação, difamação criminal e por prejudicar os interesses diplomáticos e de segurança de Israel”.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou à procuradora-geral e ao chefe do serviço de segurança Shin Bet que revelem as identidades dos soldados e oficiais entrevistados no documentário NAZA e os processem por causarem “prejuízo aos interesses diplomáticos e de segurança de Israel”.
O documentário, realizado por Yuval Abraham e Rachel Szor – vencedores do Óscar de Melhor Documentário de 2025 com No Other Land – está a ser exibido em mais de 50 países e detalha o massacre de civis em Gaza por parte dos israelitas.
Numa carta dirigida à procuradora-geral, Gali Baharav-Miara, ao chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-geral Eyal Zamir, e ao chefe do Shin Bet, David Zini, o primeiro-ministro israelita exigiu que todos “ajam com urgência para descobrir a identidade de todos os envolvidos ou que aparecem no filme difamatório”.
Netanyahu pediu ainda a “abertura de uma investigação criminal e de um processo penal por graves crimes de segurança da informação, difamação criminal e por prejudicar os interesses diplomáticos e de segurança de Israel”.
NAZA estreou no mês passado durante o Festival Internacional de Cinema de Veneza, onde recebeu a ovação mais longa da história do festival. O nome é proveniente de um acrónimo utilizado pela inteligência israelita para indicar o número estimado de civis que vão morrer devido a um ataque aéreo.
Desde a publicação do documentário que o governo israelita tem criticado duramente os realizadores, que ainda não conseguiram regressar ao país, ameaçando tirar-lhes a cidadania e acusando-os de traição.
Eyal Zamir considerou o documentário como um “ataque ao Estado de Israel” e acusou-o de espalhar “mentiras e calúnias de sangue”. Ainda antes do pedido de Netanyahu, o tenente-geral já tinha instruído as autoridades militares e jurídicas a identificarem os soldados que participaram no documentário e estudassem quais as medidas legais que poderiam ser tomadas. No entanto o procurador-geral militar, Itai Ofir, referiu que um processo criminal exigiria provas de violações de segurança ou divulgação de material confidencial.
NAZA baseia-se em revelações militares inicialmente publicadas pela publicação +972 Magazine, pelo Local Call e pelo The Guardian entre 2023 e 2025, No início deste mês, um porta-voz do The Guardian deixou claro que “o processo de avaliação da credibilidade dos depoimentos foi rigoroso, incluindo documentos confidenciais, verificação detalhada de ataques específicos por meio de um amplo conjunto de fontes jornalísticas confidenciais que não aparecem diante das câmaras no filme”.
Nos últimos três anos a equipa responsável pelo documentário “entrevistou mais de 100 fontes familiarizadas com os sistemas das Forças de Defesa de Israel usados na guerra em Gaza, incluindo comandantes de alta patente diretamente envolvidos na autorização de ataques”, referiu ainda a mesma fonte.