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A Barraca põe Camões em diálogo com Herberto Helder, Saramago, Jorge de Sena e Sophia

A companhia, em comunicado, promete "um recital imperdível para piano e voz" que junta o maestro António Victorino d'Almeida, ao piano, e a atriz Maria do Céu Guerra.

Lusa 02 de janeiro de 2026 às 17:19
Ricardo Meireles/Sábado
Obras de Camões, Herberto Helder, Sophia de Mello Breyner Andresen, Jorge de Sena e José Saramago fazem parte de "Deitemos água pouca em muito fogo", espectáculo d'A Barraca, em Lisboa, a estrear no próximo dia 9, anunciou hoje a companhia. O espectáculo, que tem Camões como referência, conta igualmente com temas originais do maestro António Victorino d'Almeida, que acompanha, em piano, a atriz Maria do Céu Guerra, todo o elenco d'A Barraca, e ainda obras de outros autores dos séculos XX e XXI como Ana Hatherly, Jorge de Sousa Braga, Miguel Torga, Manuel Alegre, Eugénio de Andrade, Alexandre O'Neill, Luís Filipe Castro Mendes, António Franco Alexandre, António Barahona, Fernando Assis Pacheco, António Ramos Rosa, Al Berto e Ernesto de Mello e Castro. A companhia, em comunicado, promete "um recital imperdível para piano e voz" que "traz a ouvir o nosso maior poeta, Luís de Camões, num diálogo poético com autores que o interpelam e desafiam, incitando o público a amar Camões e a compreender porquê, através da música e das palavras". O espectáculo "aborda uma parte da obra do poeta que ainda não tinha sido trabalhada, estimulando o público [...} através do cruzamento da sua obra com o que por ela sentem os poetas nossos contemporâneos", lê-se na sinopse de "Deitemos água pouca em muito fogo" hoje divulgada. "Nos poemas líricos, nas canções e sobretudo nos sonetos - forma lírica de maior prestígio, cultivada por Dante e Petrarca, em que todo o grande poeta tinha de se pôr à prova", Camões "fala de si, tal como fizeram Ovídio e outros poetas latinos", prossegue a apresentação do espectáculo. Excertos da "Canção X", em que Camões explica que expõe "puras verdades já por [si] passadas", foram escolhidos como "hipotética moldura da vida" do poeta, "talvez muitas vezes inventada, e que a curiosidade, os séculos e o silêncio da História transformaram em realidade", acrescenta a sinopse. "Amor vivido/amor inventado, sempre mais verdade que mentira, mas também ele tão verdadeiro quanto a poesia pode ser", cita A Barraca para demonstrar que a poesia de Camões "é o melhor" que o autor "nos legou", sublinhando que quer ler o poeta quando este "aumenta o seu sofrer de amor, ou quaisquer maus tratos da vida, da fome ou do abandono [...] hiperbolizados". "Porque foi assim que ele se quis dar a ler", argumenta a companhia, sem descartar "Camões transgressor", que "não se obriga à confidência da biografia, mas à grandeza da criação". Segundo a companhia de teatro, fundada e dirigida por Maria do Céu Guerra e Hélder Costa, "é nos poemas líricos, nas canções e sobretudo nos sonetos" que Camões "se confessa em aventuras autobiográficas". E são essas aventuras autobiográficas do autor de "Os Lusíadas" que Maria do Céu Guerra e António Victorino d'Almeida vão "cruzar" com obras de escritores contemporâneos que "interpelam" a obra de Camões, "seja em tom de elogio, revolta ou desabafo", acrescenta A Barraca. A companhia promete um espectáculo "único" em que Maria do Céu Guerra, acompanhada por todo o elenco, põe em diálogo os séculos XVI e XXI "através do que de melhor tem a poesia portuguesa". "Deitemos água pouca em muito fogo" terá um total de cinco récitas até 04 de março, as primeiras nos dias 09 e 10 de janeiro, depois em 13 e 14 de fevereiro e em 04 de março, sempre às 21:30. Com direção artística, criação e dramaturgia de Maria do Céu Guerra, o recital conta com composição musical e interpretação de António Vitorino d'Almeida, e os atores Sérgio Moras, Rita Lello, Gil Filipe, Vasco Lello, Érica Galiza, Manuel Petiz e Maria Baltazar. Com espaço cénico de Maria do Céu Guerra, "Deitemos pouca água em muito fogo" tem iluminação de Vasco Lello e Maria Baltazar, ilustrações e vídeo de Luís Henriques e Manuel Diogo e figurinos de José Manuel Costa Reis. Em 2024 assinalaram-se os 500 anos do nascimento de Luís de Camões.
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