China rejeita declarações que "firam sentimentos do povo chinês" após polémica com Mbappé
Em causa declarações do futebolista sobre Mao Zedong.
A China advertiu esta terça-feira que palavras e comportamentos que "firam os sentimentos do povo chinês serão rejeitados por todos os setores da sociedade", em resposta à polémica provocada por declarações do futebolista francês Kylian Mbappé sobre Mao Zedong.
O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun reagiu assim, numa conferência de imprensa regular, à controvérsia desencadeada pela resposta do avançado do Real Madrid, durante uma entrevista recente, quando foi questionado sobre a sua imagem humorística favorita na Internet, conhecida como 'meme'.
"Aquela com que mais me ri foi uma em que usam a minha cara num ditador chinês. Uso-a muito com os meus amigos", afirmou o jogador, sem mencionar especificamente qualquer dirigente.
Nos últimos meses, tornou-se popular nas redes sociais uma montagem que sobrepõe o rosto do futebolista francês a um retrato de Mao Zedong, fundador da República Popular da China.
A empresa Dongpeng Beverage Group, através da sua conta oficial e da marca Bu Shui La, divulgou hoje comunicados na rede social chinesa Weibo, nos quais confirmou a rutura imediata das relações comerciais com o jogador, embora sem especificar os acontecimentos que motivaram a decisão.
As empresas de laticínios Mengniu e Milkground também anunciaram hoje o fim da cooperação com Mbappé e manifestaram a sua rejeição de qualquer comportamento que fira os sentimentos do povo chinês.
A estas decisões juntou-se a televisão estatal chinesa CCTV, que suspendeu, desde a noite de segunda-feira, as transmissões da Liga espanhola de futebol, além de retirar anúncios e vídeos protagonizados pelo jogador.
A informação foi avançada hoje pelo jornal chinês The Paper, que cita fontes ligadas à estação pública.
Na China, as sátiras dirigidas a antigos líderes e figuras históricas associadas ao Partido Comunista Chinês (PCC) podem ser punidas ao abrigo da legislação que criminaliza a "difamação de heróis e mártires".