António Salvador aponta "erro flagrante" no jogo com o Sporting e arrasa Luciano Gonçalves: "Espetáculo surrealista"
Presidente do Sp. Braga enviou carta a Pedro Proença e ao líder do Conselho de Arbitragem
António Salvador enviou este sábado uma carta a Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e a Luciano Gonçalves, líder do Conselho de Arbitragem da FPF, na sequência do que se passou tanto no Sp. Braga-Sporting... como na CMTV, devido à intervenção do dirigente da arbitragem.
O líder dos minhotos começa por apontar o "erro flagrante" da equipa de arbitragem liderada por João Pinheiro, considerando que havia penálti por mão de Doumbia. "Ao minuto 49 do SC Braga x Sporting CP, e num momento em que o resultado era de 1-0, há uma evidente grande penalidade a favor da equipa visitada que o árbitro não consegue vislumbrar em campo, condicionado pela rapidez da jogada e pelo movimento do jogador que defende. O próprio árbitro interrompe o jogo segundos depois, aguardando esclarecimentos do VAR, cuja falha, essa sim, é inadmissível. Um erro flagrante, com impacto no resultado, adulterou o jogo de cartaz da jornada", pode ler-se.
O ponto fulcral da carta chega logo depois, com o dedo apontado a Luciano Gonçalves, falando num "espetáculo surrealista". "O SC Braga assinalou de imediato este erro e reportou-o, cuidando que a liderança do sector pudesse dar a devida importância ao acompanhamento das competições e do seu quadro de árbitros e vídeo-árbitros. Para nosso absoluto espanto, encontrámos no final do jogo o Presidente do Conselho de Arbitragem num estúdio de televisão, diante de um painel de jornalistas e comentadores, exaltado perante notícias e comentários sobre a sua vida particular e a sua situação patrimonial. Um espectáculo surrealista, completamente alheado da função que Luciano Gonçalves desempenha, e esclarecedor sobre o foco da liderança que, no rescaldo de um jogo capital com erro decisivo, protagoniza um momento televisivo que perdurará no anedotário do futebol nacional", acrescenta.
António Salvador reconhece que Luciano Gonçalves tem "direito à sua reputação, ao seu bom nome e à defesa da sua esfera familiar", mas deixa uma ressalva. "A importância do cargo que assume não se suspende por conveniência pessoal. Por mais respeitáveis que sejam as suas motivações individuais, o que o Presidente do Conselho de Arbitragem ontem transmitiu ao seu quadro e ao futebol em geral, minutos depois de um jogo de enorme importância, é que não está a liderar o sector que dirige e não está em condições de cumprir a sua função", afirma.
Assim, o presidente dos minhotos esclarece a intenção desta comunicação. "A presente missiva, da qual será dado conhecimento público, é o alerta derradeiro para que a Federação Portuguesa de Futebol, a sua Direção e o seu Conselho de Arbitragem reconheçam a gravidade do contexto criado e do efeito de contágio que ele tem sobre o sector, a sua estabilidade e a qualidade das decisões tomadas em jogo, bem como a respetiva análise e aprendizagem. Aqui chegados, e sob pena de escalada, reclamam-se medidas imediatas que garantam à arbitragem as condições mínimas e a salvaguarda das competições", remata.