O que são refúgios climáticos? Há 238 em Portugal e mais estão para vir
Por causa dos episódios de calor extremo, as localidades vão precisar, cada vez mais, de sítios aonde as temperaturas sejam aprazíveis. Eles já existem, só é preciso torná-los mais acessíveis a todos. Em 78 concelhos já há locais assinalados como Stay Cool
Já não está calor. Começa até a fazer frio quando o sol se vai, cumprindo-se assim o outono. Mas foi agora que o Turismo de Portugal anunciou que assinara os três primeiros contratos de financiamento relacionados com a linha de apoio à criação e requalificação de refúgios climáticos, no valor global de 210 mil euros, nas freguesias de Arroios, em Lisboa, de Valdujo, em Trancoso, e de Praia de Mira, em Mira. Estes locais frescos juntar-se-ão a outros 238, situados em 78 concelhos do País, da lista Stay Cool, lançada em junho pelo instituto responsável pelo turismo nacional. Segundo o seu presidente, Carlos Abade, foi retirado um milhão de euros do orçamento do programa Crescer com o Turismo para financiar este tipo de estrutura. Depois de dar luz verde a uma candidatura, o Turismo "avalia quais as despesas elegíveis, de acordo com as melhorias propostas, e financia em 80% do investimento", clarifica. O facto de ser uma rede nacional torna-a "única a nível mundial", esclarece Carlos Abade.
O que são refúgios climáticos?
São espaços exteriores e interiores, espalhados por todo o País, preparados para o chamado conforto térmico, permitindo descanso e hidratação nas alturas de calor intenso a quem a eles recorra. Podem ser pré-existentes ou criados de raiz. Nestas categorias podem constar museus, bibliotecas, igrejas, centros comerciais ou jardins, só para citar alguns exemplos.
Que requisitos são precisos para entrar nesta rede?
A principal característica é serem espaços, naturais ou artificiais, gratuitos. Outra das questões fundamentais é a hidratação, logo todos estes locais têm de dar acesso a fontes de água potável. Já a temperatura, nunca pode baixar dos 19 graus (o que também servirá para ondas de frio) nem ser superior a 26 graus. Ao mesmo tempo, há que ter zonas onde as pessoas possam descansar. Depois, podem ter mais valias de outra índole, como receber animais ou ter rede de wi-fi.
Quantos refúgios existem?
Neste momento, existem 238 refúgios identificados, com selo Cool Stay. Mas trata-se de um número dinâmico, em mudança diária, já que a plataforma em que estão alocados e podem ser identificados, está aberta a candidaturas. O presidente do Turismo de Portugal revela que, se encontram em cima da mesa mais 60 propostas para beneficiarem do apoio do organismo. "Até ao final de outubro, estaremos em condições de anunciar mais algum contrato, seguramente."
Quem gere a rede?
É o Turismo de Portugal. A razão para tal acontecer é válida, segundo Carlos Abade, porque "o impacto das alterações climáticas também se faz sentir no turismo". O presidente do organismo estatal destaca ainda que "Portugal deve ser cada vez mais resiliente e resistente, contribuindo para mitigar os efeitos dessas alterações". Nota também que é importante a experiência de quem nos visita, mas igualmente de quem cá vive.
Existem outras redes de refúgios?
Sim. Em Lisboa, por exemplo, a autarquia dispõe de um uma canal no seu site sobre ondas de calor e auto-proteção em que se encontra uma listagem com jardins e espaços verdes, como o Jardim da Estrela ou o Parque Eduardo VII, e equipamentos culturais, como o Museu de Lisboa ou a rede de bibliotecas municipais, destinados a refúgios climáticos. Também numa das regiões mais quentes do País, existem as chamadas ilhas de frescura - a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo afirmou estar apostada na criação de uma rede regional, à qual para já pertencem os concelhos de Almodôvar e Cuba, no distrito de Beja, Arronches e Castelo de Vide, no de Portalegre, e Mourão, no de Évora.
Como são avaliados estes lugares?
Nesta altura, o Turismo de Portugal está a registar as propostas recebidas e a integrá-las naturalmente na sua rede, aproveitando o mais possível a capacidade já existente, um pouco à semelhança do selo Clean & Safe da época pós covid, garantia de que os hotéis e restaurantes cumpriam com os requisitos de segurança exigidos em era pandémica. Mas, garante Carlos Abade, "posteriormente, eles serão alvo de uma verificação no terreno, para se atestar se têm realmente as qualificações necessárias".