No topo do Parque Eduardo VII, ainda antes do tiro de
partida, já se sentia que esta seria mais uma edição de sucesso da Lisbon
Eco Marathon. Entre aquecimentos, reencontros e alongamentos, uma energia
coletiva misturava competição, convívio e uma crescente preocupação com o
impacto ambiental. Este ano, a prova bateu recordes: mais de 3.000 participantes, diferentes distâncias, dezenas de países, uma só celebração de superação, união e propósito.
Mas, mais do que números, a edição de 2026 ficou marcada pela
consolidação de uma parceria que já se tornou estrutural: a da Ponto Verde, que se manteve como Eco Partner pelo quarto ano consecutivo,
reforçando a ligação entre prática desportiva e reciclagem de embalagens.
Correr no meio da natureza com consciência
Ao longo do percurso, que atravessa o Parque Florestal de
Monsanto, a natureza impõe-se como cenário. É precisamente aqui que a dimensão
ecológica da prova ganha maior expressão.
Mensagens espalhadas pelo trajeto lembraram os participantes
de que “a meta da Ponto Verde está em reciclar 50% do plástico, 70% do aço e
40% do alumínio. Junta-te a nós. Separamos juntos.” Uma chamada à ação simples,
mas eficaz, integrada no próprio ritmo da corrida.
Com estações de reciclagem de embalagens distribuídas ao longo do percurso, equipas de apoio e sinalética estratégica, a Ponto Verde procurou tornar o gesto de reciclar embalagens tão natural como beber água num abastecimento.
Um evento que vai além do desporto
Para Ricardo Sacoto Lagoa, diretor de Marketing, Sensibilização e Comunicação da Ponto Verde, esta ligação entre desporto e sustentabilidade é tudo
menos acessória: “Para a Sociedade Ponto Verde é muito importante estar
ligada a eventos desportivos, porque promovem o bem-estar físico, mas também um
bem-estar e um cuidado com a cidade, neste caso com um percurso que passa por Monsanto.
Na Ponto Verde, queremos ligar este bem-estar da cidade, do físico, à reciclagem das
embalagens. Estar neste tipo de evento permite-nos comunicar como se devem reciclar
bem as embalagens, mas também que a mensagem passe para que as pessoas o façam
também em casa”, explica.
“Através de eventos destes, a reciclagem de embalagens torna-se
um hábito em qualquer lugar. Eu acho que nós temos que ser ambientalmente
responsáveis em qualquer situação da nossa vida, também no desporto, se
tivermos essa predisposição, vai acontecer. E se, numa maratona como esta, na Eco
Maratona, nos derem as condições, ao longo do percurso, com sítios para
descartar as embalagens, e na zona de meta, digamos que não temos desculpa.
Temos a vontade, temos as condições e podemos fazer em qualquer circunstância”,
acrescenta o responsável que marcou presença em mais uma edição da corrida mais
verde de Lisboa.
A presença da Ponto Verde não se limitou à infraestrutura: incluiu
também ativações no terreno, como ações de sensibilização e dinâmicas com o
público, ajudando a transformar pequenos gestos em hábitos duradouros. Uma das ações mais impactantes aconteceu durante a manhã e consistiu numa corrida de estafetas em colocar os resíduos de embalagens no ecoponto correto.
Lisboa mobiliza-se para o bem-estar físico e mental
A prova integrou-se nas celebrações do Dia Mundial da
Atividade Física, com a cidade a assumir um papel ativo na promoção de estilos
de vida saudáveis. João Olivença, da Câmara Municipal de Lisboa, sublinha essa
dimensão: “Lisboa tem esta preocupação de ter as pessoas ativas a praticar
desporto. Por isso, é que são várias atividades desenvolvidas hoje, no Dia
Mundial da Atividade Física. A cidade de Lisboa está mobilizada e fechou
algumas das suas ruas, para as pessoas poderem circular, correr e ter aqui uma
questão social também associada ao desenvolvimento dessas atividades, que é
sempre muito importante, não só a prática desportiva, mas também a prática
social, também para a saúde mental e o desenvolvimento também de boas práticas,
que providenciam também a saúde das pessoas”.
Recordes batidos e um modelo a consolidar
A organização, a cargo da Streamplan, não esconde o
entusiasmo com os resultados. Nuno Pereira resume o sentimento geral: “O
balanço não podia ser mais positivo. Têm sido dias fantásticos a preparar esta
prova e, hoje, como não poderia deixar de ser, é um momento alto. O objetivo
foi cumprido. Batemos todos os recordes. O nosso objetivo eram as 3.000
participações, tivemos 3.190 inscritos”.
Também a dimensão mediática e pedagógica do evento tem vindo
a crescer. Paulo Barata, da Medialivre, destaca esse papel: “Cada vez temos
mais gente a participar porque a divulgação é bem feita, e é didática também. Nós
na Medialivre também sentimos que temos um papel muito didático. Conseguimos
chegar às massas e conseguimos fazer com que as pessoas, através da informação
que nós lhes fazemos chegar, se tornem muito mais sustentáveis”.
Mais do que uma meta, um compromisso
Entre os 42 km da maratona, os 21 km da meia, os 13 km ou
a caminhada de 8 km, há algo que une todos os participantes: a consciência de
que cada passo pode ter impacto.
Ao fim de quatro anos como Eco Partner, a Ponto
Verde consolida o seu papel numa prova que já não se limita a medir tempos ou
classificações. Aqui, a meta também se mede em comportamentos e na capacidade
de transformar um evento desportivo num verdadeiro motor de mudança para
hábitos mais sustentáveis.