Tudo começa, muitas vezes, com uma conta de água
anormalmente elevada. Numa habitação ou edifício sem sinais visíveis de
infiltração, o diagnóstico tradicional pode implicar partir paredes, levantar
pavimentos e avançar para obras dispendiosas, sem garantia de identificar
rapidamente a origem do problema. Foi para responder a este tipo de situações
que a Periplus desenvolveu soluções técnicas de deteção de fugas, assentes em
métodos não destrutivos.
Através de tecnologias como a injeção e deteção de gás
traçador, esta PME sediada no Porto consegue localizar, com precisão, fugas
ocultas. Um processo que evita demolições, reduz custos, e elimina a produção
de resíduos. Uma abordagem que acaba de ser distinguida com uma Menção Honrosa
na categoria ambiental do SME EnterPRIZE – Prémio Europeu de Sustentabilidade
para PME, com o projeto “Diagnóstico Inteligente para Economia de Água e
Redução de Resíduos”, que traduz uma lógica simples: localizar problemas sem
destruir.
Investimento em inovação
Para Ricardo Fonseca, sócio-gerente da empresa, o
reconhecimento recebido valida o caminho seguido. “Investimos na capacidade de
reabilitar sistemas sem provocar qualquer tipo de destruição. O nosso processo
assenta em tecnologias não destrutivas que, quando combinadas, permitem
ultrapassar limitações e resolver praticamente todo o tipo de situações”,
explica. A empresa atua sobretudo na deteção de avarias relacionadas com danos
por água, recorrendo a técnicas como gás traçador ou corantes seguros para o ambiente,
que permitem identificar com precisão a origem de fugas, mesmo quando ocultaAs.
Aposta crescente na sustentabilidade
A génese do projeto remonta a 2022, ano em que conseguiram a
certificação ISO 9001 e houve um reforço da aposta na sustentabilidade. Segundo
Mariana Bandeira, responsável de qualidade da Perilus, essa viragem foi
determinante: “Este projeto iniciou-se a partir da nossa preocupação com o
ambiente, as pessoas e a economia”. Para esta responsável, é um orgulho que o
crescimento da empresa “assente na capacidade de proporcionar poupanças
significativas de entulho, resíduos e obras desnecessárias”.
Neste contexto, a responsável destaca o impacto direto destas
soluções na vida dos clientes: “Estas técnicas permitem resolver problemas complicados
com o mínimo impacto nas rotinas e na vida financeira.” Ao evitar intervenções
invasivas, a empresa contribui não só para reduzir resíduos como para poupar
água.
Descobrir para reparar
Com atuação em todo o território continental e presença
pontual nas ilhas, a Periplus trabalha com clientes particulares, indústria e
setor público, mantendo parcerias com seguradoras. “O modelo tradicional era
‘partir para descobrir’. O nosso é ‘descobrir para depois reparar’”, explica
Mariana Bandeira.
A candidatura ao prémio surgiu após um exercício de medição
do impacto ambiental e social desta atividade. “Percebemos que o nosso trabalho
tinha impacto ambiental e social relevante e decidimos candidatar-nos para dar
visibilidade”, refere. Para Ricardo Fonseca, este reconhecimento surge no
momento certo: “Estamos a iniciar um novo ciclo com foco na sustentabilidade.”
O responsável revela ainda planos de expansão, incluindo novas geografias e uma
aposta na reabilitação não destrutiva.
O nosso processo assenta em tecnologias não destrutivas que, quando combinadas, permitem ultrapassar limitações e resolver praticamente todo o tipo de situações.
Ricardo Fonseca, sócio-gerente da Periplus.