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28 anos, 58 mil km e 75 milhões de passos depois, o homem que deu a volta ao Mundo a pé está quase em casa

SÁBADO 13 de outubro de 2026 às 16:25

Karl Bushby caminhou 58 mil km, atravessando 25 países ao longo de 28 anos. Tinha 29 anos quando decidiu embarcar nesta aventura.

Quando se despediu da mãe em Hull, em outubro de 1998, o ex-paraquedista Karl Bushby tinha planeado que a sua Expedição Golias - uma volta ao Mundo a pé (e a nado quando a isso forçado), sem recurso a qualquer meio de transporte - lhe iria 'roubar' 12 anos. Mas, afinal, completar os 58 mil km, através de 25 países, levaram 28 anos e mais de 75 milhões de passos. Karl, de 57 anos (tinha 29 quando iniciou o caminho), já está em Inglaterra e leva hoje 10.209 dias de estrada e mar - faltando-lhe cerca de 400 km para chegar a casa da mãe, que é desde o primeiro dia a meta proposta.

Karl Bushby X

Apesar de inúmeros contratempos, e dois passos atrás, nunca foi comprometida a linha no mapa que atravessou quatro continentes, um mar gelado (caminhou o estreito de Bering entre EUA e Rússia), duas travessias a nado, montanhas, desertos e selvas. Além de não poder usar meios de transporte, tinha uma segunda regra: só pode regressar a casa a pé e com percurso concluído, razão pela qual em 28 anos não pisou Inglaterra.

Karl Bushby, que nos seus 11 anos de serviço militar cumpriu missões na Irlanda do Norte, arranque no Chile a Expedição Golias. Caminhou por Argentina, Peru, Equador e Colômbia, onde em 2000 arriscou ser raptado pelas FARC mas acabou por se apaixonar por uma colombiana, relação que manteve até 2011. Em fevereiro de 2001 entrou no Panamá pela perigosa região de Darién e isso valeu-lhe 18 dias de prisão. Seguiu-se Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, México e, em abril de 2002, entrou nos Estados Unidos já com 16 639 km caminhados. Percorridos os EUA (com vários problemas devido ao visto) e o Canadá, atravessou sobre o gelo (em 14 dias) para a Rússia em março de 2006, onde foi detido por entrada irregular - valendo a intervenção do governo do Reino Unido.

A crise financeira de 2008 pôs um travão na expedição. Karl Bushby perdeu patrocinadores, teve de sair da Rússia e voltou ao México - de avião, com o compromisso de retomar a caminhada no mesmo exato local, o que fez 2011. As condições da tundra só permitiram caminhar na primavera e verão e os russos acabaram por lhe revogar o visto, levando a que apenas em 2017 tenha chegado à fronteira da Rússia com a Mongólia. Seguiu-se a China (onde teve escolta policial), Cazaquistão, Usbequistão Turcomenistão e Irão, onde a expedição parou devido à Covid-19. Em agosto de 2024, retomou nadando o mar Cáspio do Cazaquistão para o Azerbaijão - 3 horas por dia, o que fez com que 288 km fossem completados em 31 dias.

Seguiu-se a Arménia, Turquia e em setembro de 2025 a Bulgária (espaço Schengen), Roménia, Hungria, Áustria e Eslováquia - onde o problemas com o visto por causa do Brexit o forçaram a voar de novo para o México. Resolveu-se em em junho passado já estava na Bélgica e ainda tentou atravessar o canal da Mancha pelo Eurotunel, o que lhe foi recusado. Nadou de França para o Reino Unido e entrou a 5 de outubro na Inglaterra natal, pisando terra na praia Shakespeare, em Dover.

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