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Rei britânico reconhece "capítulo vergonhoso", mas não pede desculpas na cimeira da Commonwealth

Pedro Miguel Cardoso 03 de novembro de 2026 às 22:15

Tanto Andy Burnham como o rei Carlos esclareceram que os britânicos de hoje não podem "ser considerados responsáveis por injustiças históricas".

A rota transatlântica da escravatura e as suas consequências voltam a ser tema no Reino Unido. Tanto o rei Carlos como o primeiro-ministro Andy Burnham já prestaram declarações sobre o assunto, tendo o último considerado a possibilidade de um pedido de desculpas formal. Os dois líderes estão presentes na 28.ª Reunião de Chefes de Governo da Commonwealth, em Antígua e Barbuda.

Britain's King Charles III welcomes Andy Burnham, left, during an audience at Buckingham Palace, London, where he invited the leader Aaron Chown / AP

"A Grã-Bretanha que eu acredito é confiante, decente e corajosa. Nós guiámos o mundo na abolição da escravatura - e podemos mostrar liderança agora outra vez", afirma Andy Burnham num .

Contudo, o primeiro-ministro britânico rejeita quaisquer exigências financeiras vindas dos países das Caraíbas, baseadas no papel do Reino Unido durante a escravatura. Mantém assim a posição dos anteriores governos britânicos, reforçando a ideia de que as pessoas da atualidade não podem ser responsabilizadas pelo passado.

"Não considero que os cidadãos britânicos da atualidade devam ser considerados responsáveis por injustiças históricas, por mais hediondas que tenham sido, ocorridas numa época diferente, sob leis distintas e nas quais não tiveram qualquer envolvimento pessoal", afirmou o chefe de Downing Street.

Em vez disso, afirmou que lançaria uma nova campanha para reestruturar a dívida dos países mais pobres da Commonwealth.

Num discurso feito nesta terça-feira na reunião, também o rei britânico afirmou que a "história não pode ser escolhida ou alterada". "A nossa herança inclui tanto conquistas como falhanços", afirmou. 

"Esse capítulo vergonhoso da história é algo que enche o meu coração de horror e a minha alma com a mais profunda tristeza", revelou o rei. "Quanto mais aprofundo o meu próprio entendimento sobre o assunto por meio da escuta, da aprendizagem e da observação, mais me comprometo a encontrar formas de trabalharmos numa parceria moderna, de modo a corrigir os erros do passado com ações para o futuro", acrescentou.

De notar que nenhum dos dois teceu um pedido de desculpas formal até ao momento.

Do lado dos países das Caraíbas já surgiram reações. "Ficamos satisfeitos em saber que [o Reino Unido] está a participar na conversa. Mas não pode ser uma conversa sobre nada, tem de ser sobre algo. Se eles não vão considerar reparações, sobre o que é a conversa? Sobre nada", confirmou Ralph Gonsalves, antigo primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas.

Também Dorbrene O'Marde, presidente da comissão de apoio às reparações de Antígua e Barbuda, afirmou que a organização viu as declarações de Burnham como "um movimento na direção correta". Contudo, afirmou que rejeitam "a decisão de que reparações financeiras não vão estar em cima da mesa", segundo avança o .

Com Diogo Barreto

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