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Banco central do Paraguai começa a devolver fundos aos aforradores lesados do banco Ueno

Lusa 07 de novembro de 2026 às 02:36

Os primeiros desembolsos destinam-se a depositantes que tinham "depósitos entre 1 e 10 milhões de guaranis", entre 160 e 1.600 dólares.

O Banco Central do Paraguai começou a devolver os seus fundos, sob a forma de adiantamentos, aos aforradores vítimas da crise bancária, que deu origem a uma crise política e culminou no processo de destituição do presidente Santiago Peña, segundo fontes bancárias.

senadores debatem durante o impeachment ao presidente Santiago Pena AP Photo/Jorge Saenz

"O processo de pagamentos de adiantamentos de garantia aos depositantes do Ueno Bank começou na quinta-feira", afirmou hoje à agência de notícias francesa AFP José Maciel, diretor administrativo do Fundo de Garantia de Depósitos do Banco Central do Paraguai (BCP).

Os primeiros desembolsos, segundo aquele responsável, destinam-se a depositantes que tinham no banco digital Ueno, na origem da crise, "depósitos entre 1 e 10 milhões de guaranis", entre 160 e 1.600 dólares.

O Banco Central, explicou, que "transferiu grupos de depositantes do Ueno Bank para outros bancos e entidades financeiras onde já tinham contas ativas", e o montante correspondente foi creditado nessas contas.

Não especificando quantos depositantes lesados tinham recebido adiantamentos até hoje, nem o montante global em causa, o banco central indicou que "os seguintes grupos serão anunciados progressivamente" à medida que os desembolsos forem feitos.

Durante o julgamento de hoje de destituição do Presidente do Paraguai, Santiago Peña, no Senado, o seu advogado estimou que 700.000 aforradores tinham recebido os primeiros desembolsos até hoje à tarde, sem adiantar mais detalhes.

Desde quarta-feira, dia seguinte ao início da crise, o Parlamento aprovou uma lei expressa prevendo os primeiros pagamentos, aos aforradores lesados, de adiantamentos que poderão atingir até o equivalente a "40 salários mínimos mensais".

A crise bancária, que eclodiu na terça-feira com a tomada de controlo do Ueno Bank, congelou os depósitos de quase três milhões de pessoas, o número de clientes que o Ueno Bank afirmava ter, ou seja, quase metade da população do Paraguai.

Empresas e instituições também foram afetadas.

O Senado paraguaio iniciou hoje o processo de destituição de Santiago Peña, presidente desde 2023.

O ainda chefe de Estado paraguaio tinha apresentado a sua demissão na quinta-feira, mas o Parlamento não a aceitou, tornando inevitável o seu julgamento de destituição, conduzido pelo Senado.

A crise provocou desde terça-feira várias manifestações contra o presidente Peña, que alegadamente estaria ligado ao banco Ueno, exigindo não só a sua saída, mas também a sua prisão.

Na sexta-feira, cerca de 250 manifestantes ainda estavam reunidos, sentados na relva junto ao Parlamento enquanto se realizava o julgamento de destituição de Santiago Peña, com cartazes a exigir "Peña na prisão".

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