Saúde, sabor e conveniência: o que está a mudar na forma como comemos?
O ritmo do dia a dia exige cada vez mais refeições práticas e rápidas de preparar, que também respondam às necessidades de quem procura uma alimentação saudável, uma preocupação que é crescente.
“Antigamente é que se comia bem”, “se vem embalado, não é tão saudável” ou “proibir um ingrediente vai melhorar a nossa alimentação” são ideias feitas que continuam a influenciar as escolhas alimentares e foram alguns dos mitos desconstruídos esta manhã na Conferência Comer Melhor, promovida pela SÁBADO, com o apoio do Continente.
O encontro reuniu representantes de várias áreas do setor agroalimentar para assinalar o Dia Mundial da Alimentação e deixou uma mensagem clara: comer melhor não significa abdicar do sabor ou da conveniência, mas encontrar o equilíbrio certo. Isso passa por conhecer as nossas necessidades nutricionais e fazer escolhas conscientes e informadas, ajustadas ao ritmo de vida das famílias.
Inovar para Comer Melhor
A inovação tem desempenhado um papel importante neste caminho, com o desenvolvimento de refeições práticas e soluções que facilitam a preparação de pratos equilibrados e ricos nos nutrientes de que precisamos. Ao mesmo tempo, tem ajudado a melhorar o perfil nutricional de produtos que fazem parte dos nossos hábitos alimentares e a reinventar receitas tradicionais, sem perder a identidade e o sabor.
Na conferência, Tânia Lucas, diretora de Marcas Próprias do Continente, falou do trabalho desenvolvido pela marca para disponibilizar opções mais equilibradas aos consumidores. Presente no ano passado na mesa de 90% das famílias portuguesas, o Continente tem procurado responder a esta exigência através de produtos que conciliam sabor e equilíbrio nutricional, sem recorrer a ingredientes alternativos artificiais.
Produção nacional junta qualidade e sustentabilidade
E porque boas escolhas alimentares partem da origem dos produtos, o evento também deu espaço aos desafios da produção nacional, onde se sublinhou que a inovação não é um desafio para o futuro do setor: é a realidade do presente, que acompanha as melhores práticas internacionais.
O resultado são produtos de grande qualidade e cada vez mais sustentáveis. Na fruta, por exemplo, assinalou-se que os produtores do Oeste utilizam hoje metade da água necessária a um produtor espanhol para cultivar uma maçã.
Preocupações que influenciam escolhas
Um estudo divulgado no evento confirmou que os portugueses ligam cada vez mais as escolhas alimentares à saúde, uma tendência que é global. Preocupações com o peso, o sono e o stress são as que mais influenciam decisões, com o stress a destacar-se mais em Portugal do que no contexto global. A análise da Worldpanel by Numerator revela ainda que a maioria das famílias portuguesas (80%) continua a preferir cozinhar com produtos frescos e que 84% das refeições que fazemos em casa são caseiras.
A Conferência Comer Melhor foi encerrada pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, que destacou o reconhecimento atribuído no ano passado ao sistema agrícola português, considerado o mais resiliente do mundo numa análise que abrangeu vários indicadores em 60 países, realizada por um painel do The Economist.
O governante abordou os desafios que se colocam em toda a Europa neste setor, nomeadamente a concorrência de outras regiões com menor regulação.
No final da intervenção, voltou a centrar-se em Portugal para sublinhar que o setor agroalimentar é indispensável, tanto para responder às necessidades locais como pelo seu contributo para a economia nacional. O setor agroalimentar é responsável por 11 mil milhões de euros em exportações.