Habitação: Manifestantes no Porto foram surpreendidos com ultimato da PSP
Cerca das 07:00 a praça D. João I já se encontrava vazia, sendo visíveis os amontoados de tendas e outros bens numa rua adjacente.
Os manifestantes a favor de mais habitação mostraram-se surpreendidos, esta madrugada, pela ordem dada pela PSP para desmobilizarem da Praça D. João I, no Porto, afirmando que a polícia reuniu um elevado número de agentes do corpo de intervenção.
"Fomos surpreendidos [cerca das 05:00], não podíamos fazer mais nada, não era nossa intenção não acatar as ordens. Mesmo obedecendo vimos o que aconteceu na quarta-feira" quando o corpo de intervenção obrigou, com violência, à saída dos jovens, disse à Lusa uma das manifestantes que não quis identificar-se.
A mesma jovem acrescentou que os que estavam presentes eram todos muito jovens e não pretendiam ficar com "ficha criminal" nesta fase da sua vida.
"A nossa causa é justa e pacífica", acrescentou.
Cerca das 07:00 a praça D. João I já se encontrava vazia, sendo visíveis os amontoados de tendas e outros bens numa rua adjacente, onde viaturas, de família e amigos, iam ficando cheios de material.
Em declarações à Lusa, o advogado dos manifestantes, Tiago Machado, disse que os jovens que permaneciam acampados abandonaram o local, após a chegada da polícia, cumprindo a ordem de saída.
"Eles [PSP] apareceram e os manifestantes recolheram as coisas", afirmou o advogado, explicando que os jovens começaram a arrumar os seus pertences e a abandonar o espaço.
Tiago Machado adiantou que o pedido apresentado à Câmara Municipal ainda se encontra pendente, sublinhando que o prazo da manifestação termina apenas à meia-noite de hoje.
O advogado defendeu que os manifestantes têm respeitado a ordem pública durante os protestos e acusou a polícia de ter atuado sem necessidade na quarta-feira.
"Quem não respeitou a ordem pública foi a polícia na quarta-feira, que investiu sobre eles sem necessidade", declarou.
Segundo Tiago Machado, a participação nos protestos tem sido relativamente regular, com maior afluência na quinta-feira e no sábado.
Um total de 35 pessoas votou na segunda-feira, em assembleia popular, permanecer acampado na Praça D. João I, no Porto, onde há mais de uma semana decorre um protesto pela habitação.
O grupo votou de mão no ar para contar quantas pessoas pretendem manter-se acampadas, contando 35 pessoas.
Antes, foram aprovados votos de solidariedade com a acampada em Lisboa e outros pontos do país, bem como pela articulação com associações de estudantes universitários na luta por habitação e quanto às propinas, estas por unanimidade.
Foi ainda aprovado por maioria, das cerca de 300 pessoas presentes, um voto de articulação para uma greve geral ibérica.