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Três projetos premiados pelo cuidado a quem cuida

Exaustos, muitas vezes sozinhos e quase sempre invisíveis, os cuidadores informais são o pilar silencioso de milhares de famílias portuguesas. O Prémio Agir, promovido pela REN, distinguiu três projetos que põem o foco em quem passa dias e noites a cuidar dos outros.

04 de março de 2026 às 09:00

Há quem acorde antes do despertador, não por disciplina, mas por responsabilidade. Quem viva atento a cada ruído durante a noite, a cada respiração diferente. São cuidadores informais: filhos, mulheres ou maridos, pais, vizinhos. Pessoas que, de um dia para o outro, assumem a missão de cuidar de alguém frágil — e quase sempre se esquecem de si.

O primeiro lugar do Prémio AGIR, da REN, foi atribuído ao SMAC (Serviço Móvel de Apoio ao Cuidador), do Marco de Canaveses, da Santa Casa da Misericórdia local. O projeto assegura intervenção comunitária e apoio social a quem cuida de pessoas dependentes, promovendo acompanhamento na saúde e na área social. “O impacto está na criação de bem-estar e na manutenção da saúde destes cuidadores, que muitas vezes entram em burnout”, explica Maria Amélia Ferreira, provedora da instituição. Com os 30 mil euros do Prémio AGIR, da REN, o SMAC vai abranger 120 cuidadores, reforçando apoio clínico, social e psicológico. Estão previstas intervenções domiciliárias, ações de formação e cerca de mil visitas ao domicílio ao longo do ano.

O impacto é “profundamente humano”. “A partir do momento em que trabalhamos os cuidadores, empoderamo-los e os resultados tornam-se visíveis na sua saúde, na qualidade dos cuidados prestados e na própria dinâmica familiar", sublinha a provedora da Santa Casa da Misericórdia do Marco de Canaveses. O prémio permitirá um acompanhamento estruturado aos 120 cuidadores abrangidos.

Apoio a pessoas com doença mental

Em Braga, o segundo lugar do Prémio AGIR, da REN, distinguiu o projeto EntreLaços – Cuidar com Saber, do Instituto Irmãs Hospitaleiras, dirigido a famílias que acompanham pessoas com doença mental grave, nomeadamente esquizofrenia.

Reconhecimento a projetos focados no apoio aos cuidadores informais em Portugal DR

“A maior parte dos cuidadores encontra-se exausta e muitas vezes sozinha para lidar com comportamentos complexos”, explica Ana Filipa Mota, coordenadora do projeto.

A iniciativa aposta na capacitação e no reforço emocional. “Quando trabalhamos os cuidadores e os empoderamos, sentem-se mais fortalecidos. Os resultados refletem-se no equilíbrio familiar”, salienta a responsável.

“O Prémio AGIR, da REN, vai fazer com que tudo isto seja possível. Durante 12 meses, uma equipa multidisciplinar composta por profissionais especializados em saúde mental vai acompanhar 20 cuidadores através de 12 sessões de grupo de psicoeducação, duas sessões conjuntas com as pessoas cuidadas e acompanhamentos individuais por toda a equipa”, conclui Ana Filipa Mota.

Comunidade que cuida

Já em Gondomar, o projeto Colmeia, da cooperativa LongeVidade, conquistou o terceiro lugar e vai receber 5.000 euros no âmbito do Prémio AGIR, da REN. A iniciativa valoriza os cuidadores informais através de formação presencial e online, promovendo novas competências e criando rede.

A equipa do projeto Colmeia, da cooperativa LongeVidade, de Gondomar, dirigida por Ana Sofia Costa. DR

“Cuidar implica afeto, tempo, mas também conhecimento”, sublinha Ana Sofia Costa, diretora da cooperativa LongeVidade. “Queremos criar uma comunidade que cuida.”

Ao distinguir estes três projetos com um total de 50 mil euros, o Prémio AGIR põe no centro quem raramente está nas atenções. Porque apoiar o cuidador informal é cuidar de famílias inteiras — e lembrar que ninguém deve cuidar sozinho.