Detetar sem destruir também é sustentabilidade
Depois de ser distinguida no SME EnterPRIZE, a Periplus ganhou visibilidade, oportunidades e alargou soluções. A missão mantém-se: localizar problemas, evitar obras e poupar água, materiais e resíduos.
Uma fuga de água escondida numa parede ou uma infiltração oculta num terraço podem dar origem a obras dispendiosas. Durante muito tempo, a resposta a estes problemas passou por destruir a estrutura para descobrir onde está a origem do problema. A Periplus é uma PME portuguesa e inovadora que quer inverter esta lógica: identificar primeiro a origem do problema para depois reparar o estritamente necessário.
Foi esta abordagem que valeu à PME sediada no Porto uma Menção Honrosa na quarta edição do SME EnterPRIZE – Prémio Europeu de Sustentabilidade para PME, promovido pela Generali Tranquilidade. Meses depois, a distinção continua a produzir efeitos. Segundo Mariana Bandeira, responsável de qualidade da Periplus, “a distinção reforçou a visibilidade e credibilidade da empresa”. Na sua perspetiva, o prémio trouxe também “maior reconhecimento junto de clientes, parceiros e entidades” com quem trabalham e “abriu espaço a novos contactos e oportunidades de colaboração”, afirma.
O projeto distinguido, intitulado “Diagnóstico Inteligente para Economia de Água e Redução de Resíduos”, recorre a tecnologias não destrutivas para localizar anomalias sem avançar imediatamente para demolições. Entre os métodos utilizados estão a injeção e deteção de gás traçador, que ajuda a encontrar fugas ocultas. Para Mariana Bandeira, o prémio permitiu mostrar que “a sustentabilidade também se constrói através da prevenção”. Afinal, afirma a responsável, “diagnosticar corretamente antes de intervir permite evitar demolições desnecessárias, reduzir o desperdício de materiais, a geração de resíduos de construção e os custos associados às reparações”, explica.
Novas aplicações, mais oportunidades
Desde o prémio, a Periplus tem continuado a investir no desenvolvimento de métodos de diagnóstico não destrutivo e na combinação de tecnologias, adaptando os ensaios a cada tipo de edifício ou infraestrutura. Está também a alargar a sua intervenção para além das fugas nas redes de abastecimento. A abordagem da empresa abrange agora redes de drenagem e águas pluviais, coberturas, terraços, fachadas, piscinas e outras situações relacionadas com infiltrações e problemas da construção. “Mais do que localizar uma anomalia, procuramos fornecer informação técnica que permita intervir apenas onde e quando é necessário”, diz Mariana Bandeira.
O crescimento deste tipo de soluções mais sustentáveis enfrenta, porém, um obstáculo: os hábitos instalados. Para a responsável de qualidade da empresa, um dos principais desafios continua a ser “alterar uma cultura ainda muito assente na intervenção destrutiva como primeira resposta a uma fuga ou infiltração”. Acresce que para realizar de forma eficaz este tipo de abordagem não basta dispor de equipamentos. “O diagnóstico não destrutivo exige conhecimento técnico, equipamentos especializados e, sobretudo, uma correta interpretação e conjugação dos resultados obtidos”, informa. Na experiência da Periplus, as características dos edifícios, as dificuldades de acesso e o estado das infraestruturas também exigem uma avaliação caso a caso.
O próximo passo
No futuro próximo, a empresa quer continuar a integrar tecnologias, a reforçar parcerias e a chegar a mais clientes. A ambição é que o princípio “diagnosticar antes de destruir” se torne uma prática habitual na manutenção e reabilitação dos edifícios. Desta forma, e para a Periplus, “o caminho passa por continuar a utilizar conhecimento e tecnologia para preservar o que existe, intervir apenas no necessário e reduzir o consumo de recursos e a produção de resíduos”, conclui Mariana Bandeira.
Candidaturas abertas
Estão abertas as candidaturas à 5.ª edição do SME EnterPRIZE, que distingue PME com boas práticas de sustentabilidade. As empresas interessadas podem consultar o regulamento e apresentar a candidatura até 30 de setembro.