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Distinguir a força invisível dos cuidadores informais

Há quem cuide 24 horas por dia, em silêncio, quase sempre sem formação específica e sem rede de apoio. A 12.ª edição do Prémio Agir, promovido pela REN – Redes Energéticas Nacionais, distinguiu projetos que apoiam quem cuida.

25 de fevereiro de 2026 às 09:00
Criado no âmbito da política de Responsabilidade Social Corporativa da REN, o Prémio AGIR distingue anualmente três projetos de organizações sem fins lucrativos que respondem a problemas sociais concretos.

Nesta edição, o primeiro lugar — com um apoio de 30 mil euros — foi atribuído ao SMAC – Serviço Móvel de Apoio ao Cuidador, da Santa Casa da Misericórdia do Marco de Canaveses. O segundo prémio, no valor de 15 mil euros, distinguiu o projeto EntreLaços – Cuidar com Saber, do Instituto Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, em Braga. Já o terceiro lugar, com um apoio de 5 mil euros, foi entregue ao projeto Colmeia, da cooperativa LongeVidade, no Porto. O projeto vencedor, SMAC, vai abranger 120 cuidadores informais do concelho do Marco de Canaveses e propõe uma abordagem integrada ao bem-estar físico, psicológico e social de quem cuida. Oficinas de bem-estar, apoio psicológico, formação em saúde, consultas de especialidade e reforço da literacia em saúde fazem parte de uma estratégia que cruza saúde e ação social, envolvendo ainda entidades públicas e locais.

Em 12 anos, o Prémio AGIR chegou a 18.133 beneficiários - 12.876 diretos e 215 indiretos 18.113
“Apoiar o cuidador informal é apoiar toda a comunidade, promovendo dignidade, inclusão e sustentabilidade”, afirma Maria Amélia Ferreira, da Santa Casa da Misericórdia do Marco de Canaveses. “Estes cuidadores sustentam, muitas vezes de forma silenciosa, o bem-estar de famílias inteiras.” O segundo classificado, EntreLaços – Cuidar com Saber, vai beneficiar 40 cuidadores informais de pessoas com esquizofrenia. Através de sessões de psicoeducação em grupo, encontros conjuntos entre cuidadores e pessoas cuidadas, acompanhamento individual e a criação de um Grupo de Ajuda Mútua, o projeto aposta na capacitação e no fortalecimento emocional, prevenindo a exaustão e promovendo melhores relações interpessoais. Já o Colmeia, terceiro classificado, apoia 30 cuidadores informais nos concelhos do Porto e Gondomar. A iniciativa combina formação, apoio psicológico e redes de suporte com uma dimensão inovadora: um Clube dos Benefícios, com descontos em lojas locais, e um kit de primeiros socorros emocionais. Está ainda prevista a criação de uma rede de voluntários para aliviar, de forma prática, a sobrecarga diária. A seleção dos vencedores é feita pela REN em parceria com a Stone Soup Consulting, que acompanha a execução dos projetos e avalia o impacto social das iniciativas apoiadas. Este acompanhamento garante que o investimento não é apenas pontual, mas estruturante.
Prémio Agir destaca projetos de apoio a cuidadores informais
O Prémio AGIR é a resposta a desafios sociais emergentes Há mais de uma década, desde 2014, que o Prémio AGIR tem refletido uma visão consistente: apoiar projetos que respondam a desafios sociais emergentes, com soluções sustentáveis e impacto real. Todos os anos, desde 2014, a REN define, em parceria com a Stone Soup Consulting, um tema prioritário, alinhado com as necessidades do país. Em 2024, o foco esteve nas pessoas em situação de sem-abrigo; antes disso, foram distinguidas iniciativas ligadas ao desenvolvimento sustentável, biodiversidade, inovação social em resposta à covid-19, promoção do emprego para pessoas vulneráveis ou combate à pobreza e exclusão social. Na sua 12.ª edição, em 2025, o Prémio AGIR foi dedicado ao “Apoio a Cuidadores Informais”, tema que reflete o compromisso da REN com a Agenda 2030, assente nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para acabar com a pobreza e a fome e garantir a dignidade e a igualdade das pessoas. Nesse sentido, foram premiados três projetos que fazem a diferença junto de pessoas e instituições que têm no cuidado dos outros uma missão diária. O apoio a cuidadores informais responde a uma realidade cada vez mais evidente. O envelhecimento da população, o aumento das doenças crónicas e a insuficiência de respostas formais tornam o papel do cuidador informal absolutamente central. No entanto, a sobrecarga física e emocional, o isolamento e a falta de informação continuam a ser desafios significativos. Ao distinguir projetos que colocam o cuidador no centro, o Prémio AGIR reafirma uma ideia simples e poderosa: uma sociedade sustentável não se constrói apenas com infraestruturas — constrói-se com pessoas. E cuidar de quem cuida é uma das formas mais inteligentes de garantir esse futuro. Desde a sua criação, em 2014, o Prémio AGIR já apoiou 36 projetos, abrangendo 18.133 beneficiários — 12.876 diretos e 5.257 indiretos.Mais do que um reconhecimento financeiro, trata-se de um impulso estruturado a iniciativas com impacto mensurável, acompanhado pela Stone Soup Consulting, responsável pela monitorização dos fundos e avaliação do impacto social. Numa sociedade cada vez mais envelhecida e exigente, investir em quem cuida é investir na coesão social. E é precisamente essa energia — humana e transformadora — que os Prémios AGIR continuam a distinguir. Os três projetos vencedores  1.º lugar: SMAC – Serviço Móvel de Apoio ao Cuidador, com um prémio de 30.000 euros.
2.º lugar: EntreLaços – Cuidar com Saber, distinguido com 15.000 euros.
3.º lugar: Colmeia, que recebeu um apoio de 5.000 euros.
Desde 2014 que o Prémio AGIR já apoiou 36 projetos 36