A Índia deixou de ser vista apenas como um mercado emergente de baixo custo. Hoje é um ator central nas indústrias de ponta. Consolidou-se como potência mundial em software, serviços digitais, inteligência artificial, biotecnologia e indústria farmacêutica.
A economia da Índia passou, em cerca de dez anos, de 11.ª para 4.ª mais forte do mundo, tendo ultrapassado o Japão recentemente. E não demorará muito até ultrapassar a Alemanha, atualmente a terceira maior economia global. Não se trata de retórica nacionalista nem de projeções excessivamente otimistas: trata-se de uma trajetória sustentada por demografia, inovação tecnológica e uma diplomacia económica inteligente.
A Índia deixou de ser vista apenas como um mercado emergente de baixo custo. Hoje é um ator central nas indústrias de ponta. O país consolidou-se como potência mundial em software, serviços digitais, inteligência artificial, biotecnologia e indústria farmacêutica. Bangalore tornou-se sinónimo de inovação tecnológica; Hyderabad afirma-se na biotecnologia; e Mumbai reforça-se como centro financeiro dinâmico. A digitalização massiva da administração pública e do sistema financeiro criou infraestruturas digitais que muitos países europeus ainda não conseguiram implementar à mesma escala.
Mas o crescimento indiano não é apenas tecnológico, é estratégico. Perante a volatilidade internacional e as tensões entre Washington e Pequim, Nova Deli adotou uma política de diversificação geopolítica. A relação com os Estados Unidos mantém-se relevante, sobretudo no quadro do Quadrilateral Security Dialogue, mas a Índia evita dependências excessivas. Ao mesmo tempo que coopera com Washington, reforça laços com a União Europeia, aprofunda parcerias com o Japão e mantém pragmatismo nas relações energéticas com a Rússia.
Esta capacidade de “multi-alinhamento” é talvez uma das maiores vantagens competitivas do país. Ao contrário de outras economias, a Índia não se prende a blocos rígidos. Atua simultaneamente nos BRICS e no G20, posicionando-se como voz influente do Sul Global, sem romper com o Ocidente. Num mundo cada vez mais fragmentado, esta flexibilidade é um ativo económico.
Há ainda um fator estrutural incontornável: a demografia. A Índia é hoje o país mais populoso do mundo, com uma população jovem e em idade ativa. Enquanto a Europa enfrenta envelhecimento acelerado e constrangimentos laborais, a Índia dispõe de uma força de trabalho vasta e qualificada, especialmente nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). A combinação entre talento técnico, custos competitivos e uma classe média em expansão cria um mercado interno robusto e, simultaneamente, uma plataforma exportadora de serviços de elevado valor acrescentado.
Se a Alemanha representa a excelência industrial europeia do século XX, a Índia poderá representar o paradigma tecnológico do século XXI. A ultrapassagem económica não será apenas simbólica; traduzirá uma mudança estrutural no centro de gravidade da economia mundial. A Ásia não é apenas a fábrica do mundo, está a tornar-se o seu laboratório de inovação.
Naturalmente, persistem desafios: desigualdades regionais, infraestruturas ainda insuficientes em algumas áreas e tensões sociais que exigem gestão cuidadosa. Contudo, a trajetória é clara. A Índia está a transformar-se de economia emergente em potência consolidada.
Num contexto internacional marcado pela incerteza estratégica, onde lideranças como a de Donald Trump introduzem volatilidade nas alianças tradicionais, a Índia responde com pragmatismo, diversificação e investimento em setores de futuro. E é precisamente essa combinação que explica por que razão a sua economia não para de crescer.
Se o século XX foi dominado pelos Estados Unidos e pela Europa, o século XXI poderá muito bem ser moldado por uma Índia tecnologicamente sofisticada, demograficamente vibrante e geopoliticamente autónoma.
Se queremos um sistema académico mais justo, transparente e competitivo, é urgente recentrar os concursos de professores do ensino superior em critérios objetivos, comparáveis e internacionalmente reconhecidos.
Hoje há mais maturidade tecnológica e maior consciência política. Mas há uma questão essencial que a Europa parece ignorar: libertar-se da dependência não pode significar apenas trocar produtos americanos por soluções “open source”.
Como podem as nossas universidades permitir que a avaliação do mérito seja conduzida por quem, objetivamente, apresenta níveis de desempenho muito inferiores aos avaliados?
A pressão para acelerar é enorme. A inteligência artificial tornou-se um campo central da competição geopolítica entre grandes potências, em particular entre os Estados Unidos e a China. Nenhum país quer ficar para trás.
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