Sábado – Pense por si

Germano Almeida
Germano Almeida
28 de julho de 2026 às 23:00

Burnham pode ser a última esperança

Burnham está a fazer tudo para recuperar a sangria trabalhista para a extrema-direita. Talvez seja a última oportunidade para evitar a tomada de poder do Reform UK... a menos que Farage seja destronado pelo "Conde Caixote do Lixo". Na Ucrânia, o povo, mesmo em tempo de guerra, continua ser quem mais ordena

Andy Burnham, primeiro católico a liderar um governo de Londres em meio século, entrou a pés juntos: acabou com o IVA da eletricidade, prometeu "deslondonizar" (dando mais protagonismo ao norte britânico), convidou Trump a visitar Manchester. Fez governo de reconciliação trabalhista, incluindo proto-rivais internos (Miliband nos Negócios Estrangeiros, Streeting na Defesa). Mas manteve Jonathan Powell como conselheiro de política externa (talvez para equilibrar o pendor demasiado anti Administração Trump e pró sul global de Miliband, reforçando o foco no apoio à Ucrânia) e, acima de tudo, manteve Shabana Mahmood no Ministério do Interior com punho firme na questão da imigração. E recuperou John Healey, que havia saído de forma inesperada da Defesa já no período de queda de Starmer, para as Finanças. O desafio é tremendo: travar a sangria trabalhista para a extrema-direita, estancar a subida do Reform UK, projetar a possibilidade de ser a última esperança de que o Reino Unido não tenha Nigel Farage como próximo inquilino do número 10 de Downing Street. Starmer, mais dado a cimeiras internacionais, falhou na ligação ao britânico comum. Burnham aposta, para já, quase tudo na frente interna e na conexão com um certo "populismo light", próximo do terreno. Falta saber como poderá concretizar o "socialismo business friendly" que garante vir a praticar. Será possível?

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