Sábado – Pense por si

João Pereira Coutinho
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor

A pornografia da virtude

O liberalismo, como modo de vida, nunca criou raízes profundas nesta terra bruta. O português médio sempre preferiu os confortos da unanimidade — e, quando necessário, da inquisição. É isso que explica que, seis anos depois, o dr. Ventura continue a não ser pensável.

Novo dicionário presidencial

Seguro lembra a Suíça: previsível, rotineira, neutra no bom sentido. Se fizer o que promete – não extravasar a Constituição, colaborar para resolver problemas, actuar sem amarras partidárias e usar a palavra com conta, peso e medida – é preferível esta Suíça a qualquer alternativa tropical ou africana.

Futuros radiosos

Se, nesta segunda volta, André Ventura não crescer significativamente para lá dos seus territórios tradicionais, sobretudo contra um candidato socialista, a “liderança da direita” só servirá como ornamento.

Dicionário presidencial – 2

Seguro foi andando, como a tartaruga da lenda, até cruzar a meta para espanto das lebres. A vitória final está a um passo, mas depende dos votos da direita. Como consegui-los?

Dicionário presidencial

Se vencer a Presidência da República, nunca veremos o dr. Seguro a despir os calções de banho nos areais da pátria. O homem é reservado, monótono, às vezes maçador – e talvez os portugueses queiram isso depois desta década de Big Show Marcelo.

Caderneta de cromos

Uma comentadora televisiva, com queda para a comédia involuntária, achou por bem apresentar Jesus como palestiniano, apesar de a Palestina romana datar de 135 d.C., ou seja, depois da crucificação de Cristo e da brutal repressão das revoltas judaicas pelo imperador Adriano.

Lições de história

Ao longo do ano, multiplicaram-se ataques mortais contra alvos judaicos em cidades ocidentais, da Austrália aos Estados Unidos, passando pela Europa. Diferem nos detalhes, mas convergem num ponto essencial: a motivação anti-semita. Como explicar o regresso destes pogroms?

Um liberal para o Natal

Ser liberal é viver e deixar viver. É também não sucumbir ao ressentimento social: as páginas em que Cotrim de Figueiredo confessa essa tentação quando olhava para os colegas mais abonados do Colégio Alemão são de uma honestidade tocante.

Ofertas e procuras

O dr. José Luís Carneiro, indignado com a usurpação, bem pode vergastar o almirante. Mas foi por omissão sua e dos seus que o PS, nas próximas presidenciais, repete o mesmo erro de aventuras anteriores.

Bonito serviço

Culturalmente falando, Washington prevê que, dentro de 20 anos (ou talvez antes), Paris ou Berlim serão indistinguíveis de Cabul ou Mogadíscio.

Vocações suicidas

Resta saber se a Europa será capaz de unir forças para enfrentar a vacância americana e a ameaça russa. Ou se, pelo contrário, repetirá o erro fatal de 1914, multiplicando também as suas próprias “esferas de influência”.

Cabeças pequeninas

Com quem Ronaldo convive é um assunto dele e da família dele. Como seria, aliás, se o mesmo Ronaldo, seguindo os exemplos de Messi ou de Maradona, tivesse uma maior propensão para tomar chá com a Família Kirchner ou com Nicolás Maduro.

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