Sábado – Pense por si

João Pereira Coutinho
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor

A descivilização ocidental

Em França, a destruição sazonal já faz parte do calendário. E, como lembrava o nosso Eça, de França tudo nos chega pelo paquete – como, aliás, tem chegado: dos cocktails Molotov nas marchas contra o aborto aos pirómanos de rosto coberto junto à escadaria do Parlamento, vai crescendo por cá um certo gosto por estes passatempos, usualmente com o carimbo da extrema-esquerda.

Abusos de confiança

Difícil de aceitar é ter António José Seguro como tutor do Governo e chefe da Oposição – duas tarefas para as quais não foi eleito. E que serão lembradas por uma parte do seu eleitorado nas próximas presidenciais.

Diário brasileiro (2)

Desde que Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, foi apanhado a pedir dinheiro ao alegado criminoso Daniel Vorcaro, cortei no sono e nas refeições só para acompanhar a telenovela em permanência.

Diário brasileiro

Rostos novos, capazes de libertar a esquerda e a direita brasileiras do feitiço lulista ou bolsonarista, não se vêem no horizonte.

As armas e os varões

[Em Projecto Global], as personagens têm a profundidade emocional de um pneu, com duas excepções: Rosa e Jaime. Com muito pouco, Jani Zhao e Rodrigo Tomás fazem muito. Um brinde aos actores.

Burradas e burratas

Moral da história? A liberdade não tem preço, mas teve um custo: um País politicamente aberto e economicamente travado. Uma inteligência adulta aceita as duas ideias. Cabeças estreitas escolhem a que mais lhes convém.

Falsas consciências

A Meta decidiu cortar 10% do pessoal. Para quê? Para investir em IA: 135 mil milhões de dólares só este ano. E o reforço em IA provocará novas razias no pessoal administrativo, nos quadros intermédios, em tudo o que vive de rotinas.

Choros de alegria

Se o estreito de Ormuz continuar o seu bailado macabro, abrindo e fechando ao sabor dos aiatolas, os tecno-saturados terão o privilégio de ver esfumar-se as suas férias em Punta Cana, Ibiza ou no Dubai.

Lua de mel, Lua de fel

O futuro da raça humana pode bem passar pela expansão espacial. Quem sabe? Precisamente: ninguém. E esse é o ponto. A história da ciência é uma busca sem fim definido, sem solução final clara, aberta a múltiplos desfechos.

Mundos fechados

A posição estratégica da AD não é uma questão de ‘rendição’; é uma tentativa de emagrecer o mamute pela restrição da sua dieta.

Números primos

A dependência financeira da União Soviética durante a Guerra Fria e, mais recentemente, do petróleo da Venezuela só serviu para mascarar as ruínas que o regime produziu por sua conta e risco. A revolução falhou para os cubanos. Mas, para os turistas, o regime que interessa é outro – e vem com tudo incluído.

Grandes ilusões

Portugal optou pela estratégia infantil: fazer de conta que André Ventura, no imortal papel de bicho-papão, pode desaparecer pela força do pensamento mágico.

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