Nunca como hoje os meios tecnológicos - as novas tecnologias não são neutras nem apolíticas (porque nada na vida é neutro e muito menos apolítico) - foram um instrumento de manipulação tão poderoso.
No dia 6 de junho de 1944, iniciou-se o
desembarque das Forças Aliadas nas praias da Normandia.
Foi o “Dia D”, o primeiro dia da chamada
“Operação Overlord”, no qual se concretizou o maior desembarque anfíbio da
história da Humanidade, e acerca do qual, entre textos de ficção e históricos e
documentais, tanto se escreveu, e tantos filmes e séries foram produzidos.
É, sem sombra de dúvidas, mais uma daquelas datas
que é essencial recordar.
Mesmo que, como aconteceu com mais um discurso do
ultra reaccionário xenófobo e racista Secretário da Guerra da Administração
Trump, Peter Hegseth ou “Pentagon Pete” para os amigos, essas comemorações possam
ser usadas para distorcer os factos e promover políticas totalmente contrárias
àquelas que motivaram esse desembarque.
O que tem de ser feito é repor a verdade. O que
está a tornar-se uma tarefa bem mais difícil e penosa do que os míticos 12
trabalhos de Hércules, já que, como bem previu Eric Arthur Blair, o George
Orwell de “1984” e “O triunfo dos porcos”, aquilo que para os totalitários é
mais importante é reescrever a História.
E essa é uma tarefa a que essa gente dedica as 24
horas de cada dia, sete dias por semana e 365 dias por ano. E 366 nos anos
bissextos.
E nunca como hoje os meios tecnológicos - as
novas tecnologias não são neutras nem apolíticas (porque nada na vida é neutro
e muito menos apolítico) - foram um instrumento de manipulação tão poderoso.
E, pese embora esse tenha de ser um desígnio
permanente daqueles que lutam pela paz e pelo progresso social dos Povos – de
todos os Povos do Mundo, acrescento -, nunca como hoje é tão indispensável a
criação de mecanismos e instrumentos que apoiem e permitam o desenvolvimento de
um espírito crítico e de uma capacidade de relacionamento dos factos em cada
uma das pessoas concretas que habitam o Planeta.
Porque, apesar de, como já aconteceu múltiplas
vezes no passado, estar claramente demonstrado que “o Mercado” - ou seja, o
sistema de produção capitalista e a ideologia assente na defesa dos méritos de
uma desregulação permanente e da “destruição criativa” que constituem os seus
pilares fundamentais - não é a melhor forma de organização social quando se
trata de resolver os problemas essenciais das Comunidades, a verdade é que esse
é o modelo que é apresentado como o melhor que a Humanidade já alguma vez conseguiu
encontrar.
Que enorme falsidade.
Especialmente nesta sua actual versão, totalmente
predatória (ou melhor, ainda mais predatória do que em momentos anteriores da
História da Humanidade) dos recursos do Planeta, a um ponto de se tornar
suicidária, como o acréscimo das alterações climáticas vem demonstrando de um
modo cada vez mais indesmentível, a falência desse sistema deveria ser algo de
claramente evidente para a generalidade das pessoas.
Só que não é.
Nem mesmo quando é cada vez mais notória a
obscena concentração da riqueza nas mãos de um cada vez menor número de
ultra-ricos, a que corresponde um contínuo e sistemático acréscimo da pobreza
dos demais habitantes da Terra, e quando se multiplicam, por toda a parte, os
conflitos armados.
Conflitos armados que se vão arrastando e dos
quais nada de bom alguma vez resultará para os seres humanos. Para todos os
seres humanos e não apenas para os que sobrevivem nessas áreas de conflito.
E o pior é que aqueles que beneficiam dessas
guerras estão a movimentar-se para alargar essas áreas de conflito, ao mesmo
tempo que as lideranças políticas mundiais apenas sabem propor-nos caminhos que
assentam na indispensabilidade da preparação para a guerra, o que significa que
as nossas consciências estão a ser moldadas para aceitar que isso é inevitável.
Estamos a voltar aos perigosos tempos que
antecederam o desencadear da Primeira Guerra Mundial, evento que alterou, de
forma desastrosa, o caminho de progresso que a Humanidade estava a percorrer
nas décadas que antecederam o eclodir dessa terrível catástrofe humanitária.
A pergunta que se coloca é: que podemos fazer
contra isso?
Uma coisa é certa, se nada fizermos, essa guerra
generalizada tornar-se-á mesmo inevitável.
Logo, apesar de todos os problemas que nos
afligem - e, seguindo a táctica desenhada pelos ideólogos neo-fascistas, o
governo português vai sucessivamente criando artificialmente problemas que não
existiam anteriormente em vez de resolver os que já nos afrontavam (revisão das
leis laborais e revisão constitucional) -, esta questão não pode ser
negligenciada.
Insisto: temos de retomar o caminho destruído
pelo desencadear da Primeira Guerra Mundial e, a partir daí, criar novas
utopias, diferentes das que então existiam e que falharam no cumprimento dos
objectivos que almejavam alcançar, que impeçam essa destruição anunciada e
desejada pelos eternos senhores da guerra.
Pela quarta vez na sua História, Portugal foi
eleito membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU e isso é algo com
que os portugueses e as portuguesas se devem regozijar.
Até porque tempos houve em que o nosso país teve
uma influência positiva nas matérias debatidas nessa Organização Mundial.
E, sendo certo que os senhores da guerra querem
destruir essa organização e as suas agências, será que isso também irá
acontecer desta vez?
Começar de novo - Recomeçar sim, sem dúvida, mas a partir de onde?
Nunca como hoje os meios tecnológicos - as novas tecnologias não são neutras nem apolíticas (porque nada na vida é neutro e muito menos apolítico) - foram um instrumento de manipulação tão poderoso.
Os actuais dirigentes do país, muito provavelmente por força de um revanchismo que, apesar de mascarado de “modernidade”, é cada vez mais indisfarçável, estão mais preocupados em destruir os equilíbrios sociais construídos na sequência do 25 de abril de 1974 e do 25 de novembro de 1975, do que em procurar encontrar soluções para debelar essas dificuldades, ou pelo menos minorar as suas consequências para os mais desfavorecidos.
E nunca como hoje, porque a capacidade de destruição se tornou tão devastadora e porque é tão intenso e generalizado o desprezo pelos valores fundamentais da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da soberania do Direito sobre a barbárie, se tornou tão necessário demonstrar que, em termos práticos, a vitória sobre essas forças tenebrosas é possível e está ao nosso alcance.
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