NEWSLETTER EXCLUSIVA PARA ASSINANTES Novidades com vantagens exclusivas: descontos e ofertas em produtos e serviços; divulgação de conteúdos exclusivos e comunicação de novas funcionalidades. (Enviada mensalmente)
Federação Internacional dos Trabalhadores dos Transportes tem recebido muitos pedidos de socorro.
Há cerca de 20 mil marinheiros retidos no Golfo Pérsico devido ao encerramento do Estreito de Ormuz. A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão dura há mais de um mês e meio e estes homens desesperam por sair do local, até porque, além do perigo dos mísseis, a água potável e a comida começam a escassear.
Petroleiros retidos em OrmuzAP
Mohamed Arrachedi, advogado espanhol da Federação Internacional dos Trabalhadores dos Transportes, conta que o seu telemóvel não pára de tocar. "Agora mais do que nunca, os marinheiros precisam de proteção. Deve dar-se prioridade às suas necessidades básicas de alimentação, água, assistência médica e combustível marítimo", adverte, revelando ao El País que tem recebido muitos pedidos de socorro.
"Os marinheiros ligam a qualquer hora, sempre que têm acesso à internet, porque alguém está a partilhar a ligação ou porque de repente conseguem sinal. Todas as mensagens que recebemos carregam o peso emocional do pânico, do medo e da incerteza. Eles enviam-me fotos e vídeos de bombas a cair à noite e dizem 'a minha vida está em perigo. Por favor, tire-nos daqui'."
A ONU estima que duas mil embarcações estejam retidas no local, números que diferem dos da Vortexa, empresa que monitora movimentações de navios e fluxos de carga em tempo real, que fala em 823, ainda segundo o El País. Destes, 300 serão petroleiros e os restantes dividem-se entre navios de carga, porta-contentores e até seis navios de cruzeiro, cujos passageiros já foram retirados do local.
A Organização Marítima Internacional refere, por sua vez, que já ocorreram pelo menos 21 ataques contra embarcações retidas, dos quais resultaram 10 mortos e muitos feridos. A organização está a levar a cabo esforços diplomáticos no sentido de evacuar as tripulações, bem como garantir o abastecimento de alimentos e água.
A retirada dos marinheiros não é fácil, não só pelas dificuldades do transporte para terra, como também pela questão dos vistos no país costeiro e as limitações nas viagens aéreas. Até bandeira da embarcação, a nacionalidade do armador ou o país onde os trabalhadores foram contratados podem constituir um problema.
"Há casos em que existe cooperação e recetividade, o que é compreensível, dada a situação de guerra. Mas há armadores que se recusam, por causa do custo financeiro. Se a tripulação quiser desembarcar, isso significa que precisarão de substitutos. E não há nenhum nos Emirados Árabes Unidos, por exemplo, terão de os trazer do Egito, da Índia, de Myanmar, das Filipinas… E isso acarreta custos”, explica Mohamed Arrachedi. “Alguns armadores sem escrúpulos acreditam que podem gerir os seus navios de forma feudal. Mantêm as tripulações a bordo sem receberem os salários, em condições muito precárias, a exigirem pagamento pelo repatriamento, ignoram as reivindicações dos seus marinheiros. Isto é a escravatura moderna”, denuncia.
Ao The Guardian um marinheiro admitiu que a situação é, de facto, precária. "Não estou em condições mentais para desempenhar as minhas funções depois de tudo isto. É a situação mais difícil em que já me encontrei."
Os pedidos de comida e água têm aumentado. "Há um número crescente de queixas de marinheiros que dizem estar a ficar sem comida, água ou combustível necessário para a eletricidade e iluminação do navio", conta ainda Arrachedi, explicando que para abastecer um navio o armador precisa contratar um agente em terra para gerir o abastecimento, os mantimentos devem passar pela alfândega e ser entregues ao navio por lancha, caso ele esteja ancorado e não atracado num porto.
Recorde-se que nos últimos dias acendeu-se uma centelha de esperança para estes marinheiros, com a notícia da abertura do Estreito de Ormuz. Mas foi sol de pouca dura, uma vez que o Irão voltou a anunciar o encerramento daquela importante passagem marítima, em retaliação com o facto de os Estados Unidos continuarem a bloquear os seus portos.
Pelo menos oito navios transportadores de petróleo e gás natural conseguiram atravessar este sábado o Estreito de Ormuz, antes de o Irão reverter a decisão, segundo dados da empresa Kpler.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.