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As vidas dos filhos de padres em Portugal

Alguns tratam os pais por padrinhos. Todos, mesmo os que são perfilhados, vivem na clandestinidade. Depois de o pároco Giselo Andrade assumir a paternidade em público, colegas revelam como levam uma vida dupla para conciliar os papéis.

Dentro do carro, estacionado junto ao emprego dela, o diálogo antevia-se tenso. Há dias que a mulher católica o preparava: "Pode acontecer alguma coisa…", ia lançando. Faltava a confirmação, que viria naquele final de tarde de Primavera. Estava grávida. Sem saber qual seria a resposta dele, a paroquiana comunicou-lhe, a medo, o primeiro mês de gestação. O futuro pai sorriu, abraçou-a. Era uma boa notícia para o homem de meia-idade, divertido e eloquente, que há muito desejava em segredo a paternidade. Nem o facto de tal colidir com as suas funções - as de padre (que em latim também quer dizer pai) - o intimidava. "Outro, no meu lugar, ficaria aterrado, mas eu fiquei feliz", recorda o próprio àSÁBADO,sob o nome fictício de Paulo. Seria um acto único - um filho -, não mais: "Se tal acontecesse confirmaria as dúvidas de concubinato que assolam as cabeças dos nossos bispos."

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