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Saída de vereadores e uma crise política marcam seis meses do Chega nos municípios

O presidente da Câmara de São Vicente, José Carlos Gonçalves, por exemplo, retirou em março os pelouros aos dois vereadores eleitos pelo partido e que lhe garantiam a maioria absoluta.

A saída de pelo menos oito vereadores, uma crise política, incompatibilidades locais e acordos para permitir a maioria absoluta em câmaras minoritárias têm marcado a participação do Chega nos executivos municipais durante os primeiros seis meses deste mandato autárquico.

Saída de vereadores e uma crise política marcam seis meses do Chega nos municípios
Saída de vereadores e uma crise política marcam seis meses do Chega nos municípios ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Meio ano depois, o Chega, o partido que mais subiu nas eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025, soma as saídas de pelo menos oito dos 137 vereadores eleitos, com influência na composição dos executivos municipais, e enfrenta uma crise política no município de São Vicente, no norte da Madeira, um dos três em que venceu (os outros foram Entroncamento e Albufeira).

O presidente da Câmara de São Vicente, José Carlos Gonçalves, retirou em março os pelouros aos dois vereadores eleitos pelo partido e que lhe garantiam a maioria absoluta.

O autarca, que neste momento concentra em si todos os pelouros, rejeita, porém, o cenário de eleições intercalares e defende que os dois vereadores deveriam renunciar ao mandato.

Alguns dias após as eleições e ainda antes de tomar posse, Luís Saraiva, eleito vereador pelo Chega em Mirandela, foi o primeiro a desfiliar-se do partido, passando a independente e a ser o desempate num executivo liderado pelo PS, que tem três membros, mas no qual a AD (PSD/CDS-PP) também tem membros.

Luís Saraiva justificou a dissidência com "divergências intransponíveis com a direção distrital do partido, bem como uma falta de apoio gritante durante toda a campanha".

Em 19 de janeiro, Ana Simões Silva, a segunda vereadora que o Chega conseguiu em Lisboa, anunciou a sua desfiliação, justificando a decisão com "incompatibilidades políticas intransponíveis" com Bruno Mascarenhas, agora único eleito do partido na Câmara Municipal.

De acordo com a revista Sábado, esta cisão foi justificada com o facto de Ana Simões Silva não ter conseguido, em várias ocasiões, aceder ao gabinete que partilhava com Bruno Mascarenhas, não ter participado na escolha da equipa de apoio e também pela nomeação para cargos municipais da namorada deste dirigente do Chega, da filha do coordenador autárquico do partido ou de uma cabeleireira para assessoria ao vereador relacionada com espaços verdes.

Dias depois, a Câmara de Lisboa anunciou que Ana Simões Silva, agora independente, passaria a vereadora a tempo inteiro e teria os pelouros da Saúde do Desperdício Alimentar. Desta forma, o presidente da Câmara, Carlos Moedas (PSD), passou a governar com maioria absoluta.

Na Câmara de Vila Nova de Gaia, liderada pelo social-democrata Luís Filipe Menezes, o vereador eleito pelo Chega, António Barbosa, desvinculou-se do partido no final de janeiro, integrando depois a governação camarária, o que garantiu a maioria absoluta.

António Barbosa ficou com os pelouros das Feiras e Mercados e Ambiente e Bem-estar animal, sendo também adjunto do presidente do município noutros três pelouros: Urbanismo, Segurança e Relacionamento com as juntas de freguesia.

Em Coimbra, a vereadora eleita pelo Chega, Maria Lencastre Portugal, deixou o partido em janeiro devido a uma "incompatibilidade objetiva" entre orientações internas e a forma como entende que deve ser exercido o mandato local.

Numa autarquia que a coligação PS/Livre/PAN venceu, mas com o mesmo número de vereadores que a coligação liderada pelo PSD, Maria Lencastre Portugal passou a independente e não assumiu qualquer pelouro, mas foi entretanto nomeada pela Câmara para gerir o ITAP -- Instituto Técnico Artístico e Profissional de Coimbra, detido pela autarquia.

Já no distrito de Castelo Branco, o vereador Hugo Silva, eleito pelo Chega no Fundão, foi a mais recente desfiliação do partido, que atribuiu a "uma decisão pessoal, [...] ponderada e tomada na sequência de um processo de reflexão sério e responsável".

O presidente da Câmara do Fundão, eleito pelo PSD, atribuiu-lhe os pelouros da Segurança e Proteção Civil e conseguiu assim maioria absoluta no executivo.

No município do Funchal, o principal e mais populoso da Madeira, de maioria PSD/CDS-PP, os dois eleitos do Chega para a Câmara, Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas, passaram a independentes, em fevereiro, justificando a decisão também com divergências com a estrutura regional do partido.

Na Marinha Grande, Emanuel Vindeirinho também integrou a lista do Chega à Câmara como independente e foi eleito, mas deixou de representar o partido no executivo municipal em fevereiro, passando a independente.

Na Câmara de Ourém, a vereadora do Chega, Rita Sousa, renunciou ao mandato em março. A número dois da lista também renunciou, o mesmo fazendo os números três e quatro.

Para a próxima reunião de câmara, no dia 20 de abril, vai ser convocada a número cinco da lista.

Em Odemira, onde o PS tem maioria absoluta, o vereador eleito pelo Chega, o empresário Rui Campos Silva, renunciou ao mandato logo após ter sido eleito e foi substituído por Manuel Matias, pai da deputada Rita Matias.

Na Azambuja, a vereadora eleita, Inês Louro, renunciou ao cargo alegando razões profissionais. Arrependeu-se seis dias depois, mas o arrependimento não foi tido em conta pelo município e a número dois da lista, Ana Sofia Pires, acabou por tomar posse.

O Chega integra neste mandato outros executivos municipais, assumindo pelouros depois de ter celebrado acordos de governação, sobretudo com coligações lideradas pelo PSD, como é o caso de Sintra, Cascais, Tomar e Benavente, o que motivou críticas de outros partidos que também os integram.

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