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(Enviada semanalmente)
«Poderão verificar-se, de forma pontual e temporária, oscilações de pressão ou interrupções no abastecimento de água…»
Chamam-lhe «gestão solidária e rotativa da rede» e talvez pensem vir a ser felicitados por tamanha diligência sempre que falta água corrente, mas é bem provável que os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS) sejam apenas mais um exemplo de incompetência administrativa.
Garante a empresa do oitavo município mais populoso do país – cerca de 180 mil habitantes, estimativa a rever em alta – esforçar-se por «partilhar o recurso disponível para que nenhuma zona seja penalizada de forma isolada».
Asseguram os SMAS que «o aumento extremo das temperaturas, a par do crescimento da população sazonal no nosso Concelho, fez disparar o consumo de água, superando por vezes a água que captamos diariamente nos nossos furos».
Os SMAS propiciaram este esclarecimento quinta-feira depois de alguma da comunicação social sedeada nas lonjuras de Lisboa começar a atentar numa situação de cortes imprevistos de abastecimento de água que desde o final de Maio afectam o município de Almada.
Só em Junho registaram-se cinco cortes totais de fornecimentos e três falhas localizadas na Costa da Caparica – freguesia e cidade com mais de 14 mil residentes – em que, –fornecimento e onze falhas localizadas não-programadas.
Julho abriu com cortes prolongados na Costa da Caparica e nas suas imediações da Trafaria, além do Feijó, localidade com mais de 20 mil residentes.
Quinta-feira falhou o fornecimento durante longas horas na Costa da Caparica, a mais afectada das onze freguesias do concelho.
Sexta-feira, enfim, começou com este comunicado: «poderão verificar-se, de forma pontual e temporária, oscilações de pressão ou interrupções no abastecimento de água, nas zonas da Costa da Caparica, do Feijó e do Laranjeiro.»
A empresa presidida por Luís Filipe Palma, militante do PCP, tendo como vogais, Inês de Medeiros e Nélson Pólvora, eleitos pelo PS, entre «interrupções e oscilações» apresentou explicações sobre furos existentes e previstos, obras de reabilitação, capacidade de reserva e no seu comunicado rematou como o tradicional: «Agradecemos a compreensão de todos e lamentamos os eventuais transtornos causados.»
Estão suas consciências, ao que se presume, na Paz do Senhor, e em nada têm a invejar a outros.
O Ministério da Educação é um exemplo e reprovou, sem admitir vergonhas de maior, nos Exames Nacionais Finais do Ensino Secundário.
Para a vaga de calor tem-se o aviso da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar de que, pelas conclusões de um estudo divulgado em Outubro de 2025, incindindo sobre 695 entidades com 7,9 milhões de inscritos, «44% das USF classificam as suas instalações como desadequadas e 49% apontam insuficiências no sistema de climatização».
Quanto resto não se justificam acrescentos a um artigo escrito em Agosto de 2005, pelo saudoso historiador de arte Paulo Varela Gomes, enquanto a cinza caía de mansinho sobre o chão que pisava na aldeia de Podentes, concelho de Penela.
Pelas bandas de Coimbra, contemplava Paulo Varela Gomes, falecido em 2016, um território «criado, inteiramente criado, pela III República. Nasceu da conjugação entre um meio-enriquecimento das pessoas, que, 30 anos depois do 25 de Abril, não chega para lhes permitir uma verdadeira mudança de vida, e o colapso da autoridade do Estado central e local, este regime de desrespeito completo pela lei, que começa nos ministros e acaba no último dos cidadãos.»
Portugal estava e está a arder «por causa daquilo que o regime fez, por culpa dos responsáveis do regime e dos eleitores que votaram neles», concluía inapelável.
Neste estio esperemos que, pelo menos, em Penela, onde Paulo Varela Gomes deixou um tractor cor-de-rosa e uma pilha de estudos e ficções de encantar, haja água e compreensão por transtornos causados no desnorte das instituições da República de Abril.
Esta é, desde já, a consequência mais assustadora da guerra na Ucrânia: sem armas nucleares é impossível garantir soberania plena da capacidade de dissuasão.
O reconhecimento e denúncia de genocídios tornou-se num jogo político cínico, evidente, por exemplo, na esquiva de Israel a reconhecer o genocídio arménio para não prejudicar as relações com Turquia e Azerbaijão, vitais na gestão de interesses na Síria e no confronto com o Irão.
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