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Giorgia Meloni desmente Donald Trump após comentário sobre fotografia na cimeira dos G7

A chefe do governo italiano acusou o Presidente norte-americano de ter “inventado” que esta lhe teria pedido uma fotografia durante a cimeira.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, acusou Donald Trump de ter "inventado" uma história sobre um encontro entre ambos à margem da cimeira do G7, depois de o Presidente norte-americano ter afirmado, numa entrevista à televisão italiana La7, que a líder italiana lhe teria “implorado” por uma fotografia. A reação de Meloni foi imediata e abriu uma nova crise numa relação política que, durante meses, tinha sido apresentada como uma das mais próximas entre Washington e uma capital europeia.

Os dois líderes estiveram reunidos na cimeira dos G7 que decorreu em França
Os dois líderes estiveram reunidos na cimeira dos G7 que decorreu em França Evelyn Hockstein/Pool Reuters via AP

Segundo a , Trump afirmou que Meloni queria “muito” uma fotografia com ele durante a cimeira dos G7, realizada em Évian-les-Bains, em França, e que só teria aceitado porque sentiu "pena" desta. A confirmou os termos gerais da entrevista, transmitida pela La7, embora sublinhe que a estação italiana divulgou uma versão dobrada da conversa e não o áudio original em inglês.

Na entrevista, Trump terá começado por perguntar ao jornalista pela primeira-ministra italiana e, depois, referido o encontro que ambos tiveram durante a cimeira. “Ela provavelmente está feliz por eu ter falado com ela. Eu não tinha de falar com ela”, disse o Presidente norte-americano, segundo a tradução citada pela La7. Em seguida, acrescentou que Meloni lhe teria pedido uma fotografia e que ele aceitou por "pena".

Meloni respondeu através de um vídeo publicado nas redes sociais, acompanhado da frase “A Itália e eu nunca imploramos”. A primeira-ministra disse estar “francamente estupefacta” com as declarações de Trump e classificou-as como “completamente inventadas”. “Não sei porque é que o Presidente dos Estados Unidos se comporta assim com os seus aliados. Não é a primeira vez”, afirmou.

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A líder italiana foi mais longe e enquadrou o episódio numa crítica à postura internacional de Trump. Meloni lamentou que o Presidente norte-americano não mostre a mesma determinação perante “os inimigos do Ocidente” que demonstra nas críticas dirigidas a aliados tradicionais. “Há uma coisa que deve recordar: nem eu nem a Itália imploramos”, acrescentou.

A resposta não ficou limitada a Meloni. Antonio Tajani, ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, cancelou uma visita prevista aos Estados Unidos, onde deveria participar num fórum empresarial em Miami e encontrar-se com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Tajani que as palavras de Trump eram “graves e ofensivas” para Giorgia Meloni e para toda a Itália.

Vários membros do Governo italiano e figuras de diferentes áreas políticas manifestaram solidariedade com a primeira-ministra. A  (AP) noticiou que o Presidente italiano, Sergio Mattarella, telefonou a Meloni após o episódio. O ministro da Defesa, Guido Crosetto, afirmou não acreditar que Meloni pedisse uma fotografia “nem sob ameaça”, enquanto Matteo Salvini, ministro das Infraestruturas e dos Transportes, escreveu que quem ataca Meloni “ataca todos” os membros do Governo.

O incidente ocorre poucos dias depois de imagens da cimeira do G7 terem mostrado Trump e Meloni a conversar em vários momentos, incluindo sentados lado a lado num sofá. A assinala que essas imagens tinham sido interpretadas como sinal de uma possível reaproximação entre os dois líderes, depois de meses de tensão provocada por divergências sobre o Médio Oriente, a guerra no Irão e a posição dos Estados Unidos em relação à Ucrânia.

A relação entre Meloni e Trump tinha começado em sentido oposto. A primeira-ministra italiana foi a única líder europeia a assistir à tomada de posse de Trump em 2025 e procurou apresentar-se como ponte entre Washington e a União Europeia. Em janeiro desse ano, Meloni surgia como uma das dirigentes europeias mais próximas do Presidente norte-americano, depois de uma visita não anunciada à Florida e de elogios públicos de Trump, que a classificou como uma “mulher fantástica”.

Essa proximidade deteriorou-se nos últimos meses. Em abril deste ano, Meloni criticou publicamente Trump depois de comentários dirigidos ao Papa Leão XIV, que condenara a guerra no Irão. Na altura, a chefe do Governo italiano considerou as palavras do Presidente norte-americano “inaceitáveis”. Pouco depois, Trump respondeu numa entrevista ao jornal italiano , acusando Meloni de "falta de coragem" e dizendo estar “chocado” com a atitude da líder italiana, sobretudo pela recusa de Roma em apoiar a ofensiva militar norte-americana e israelita contra o Irão.

A cimeira de Évian parecia ter oferecido espaço para atenuar a tensão, mas a entrevista à La7 reabriu a disputa em termos pessoais e diplomáticos. A Casa Branca não respondeu de imediato aos pedidos de comentário citados pela AP. Até ao momento, Trump não apresentou publicamente provas da versão que relatou à televisão italiana, e a La7 não divulgou o áudio original da entrevista. O episódio soma-se a uma relação bilateral já marcada por divergências sobre segurança, Ucrânia, Médio Oriente, tarifas e o papel da Europa na estratégia externa norte-americana.

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