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Miranda Sarmento concorda com FMI: descer IVA da restauração foi "erro crasso"

Ministro das Finanças considera que descer o IVA na restauração para 13% foi um "erro crasso" de política económica e orçamental, mas passou a bola ao Parlamento para reverter a medida. Sarmento garantiu ainda que Portugal cumpre as regras orçamentais.

Depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter criticado o IVA reduzido na restauração, o ministro das Finanças concordou, lembrando que a medida, tomada em 2016, foi "um erro crasso". Mas quando questionado sobre porque não propõe reverter a medida, Joaquim Miranda Sarmento passou a bola ao Parlamento.

Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças
Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças
Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças
Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças
Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças
Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças

Nesta quarta-feira, 13 de maio, numa audição no Parlamento sobre a despesa líquida primária, o novo indicador-chave das regras europeias, o ministro foi chamado a comentar as críticas do FMI e da Comissão Europeia, que se opõem ao IVA reduzido na restauração (de 13%) e no alojamento (de 6%). O tema foi trazido pela deputada Patrícia Gonçalves, do Livre.

Lembrando que a redução do IVA da restauração foi decidida em 2016, no anterior governo socialista, e que custa cerca de mil milhões de euros por ano, Joaquim Miranda Sarmento defendeu que a medida "está errada". Tendo sido tomada numa altura em que a economia estava a recuperar e o setor beneficiava disso, o ministro considerou que reduzir o imposto sobre o setor foi "altamente populista".  "É um erro crasso de política económica a orçamental", defendeu.

Perante a posição do ministro, Patrícia Gonçalves quis saber então porque é que o Governo não propõe a reversão da medida. Ou seja, um regresso para a taxa normal, de 23%.

Na resposta, Miranda Sarmento passou a bola ao Parlamento. "Os 96 deputados [da AD, que junta PSD e CDS, os partidos do Governo] não chegam para a maioria", disse, apelando a que a deputada apresentasse a proposta para convencer os partidos. 

"O Parlamento pode apresentar as propostas que entender", disse. Recorde-se que, embora a palavra final relativamente a impostos seja da Assembleia da República, o Governo pode apresentar propostas nesse sentido. 

Para o FMI, o problema é sobretudo de equidade. “As isenções e taxas reduzidas de IVA não são bem direcionadas e frequentemente beneficiam as famílias de maiores rendimentos (por exemplo, as taxas reduzidas de hotéis e restaurantes). Devem ser eliminadas”, diz taxativamente nas recomendações ao Governo deixadas na semana passada, após uma visita técnica a Portugal no âmbito das consultas regulares do chamado Artigo IV.

O debate desta manhã tem estado, como era previsto, muito assente no novo indicador-chave das regras orçamentais europeias, a despesa líquida primária.

"Portugal cumpre as regras orçamentais. Não está em risco de Procedimento por Défices Excessivos", assegurou Miranda Sarmento, frisando que a despesa líquida está a crescer dentro dos tetos definidos com a Comissão Europeia.

Essa conclusão já tinha sido apresentada pelo ministro no relatório anual de progresso que foi enviado pelo Governo a Bruxelas no final de abril, mas também pela análise do Conselho das Finanças Públicas (CFP).

No entanto, o CFP considera que o Governo cumpre as regras com muito pouca margem, o que implica um apertado controlo da despesa, sobretudo para os próximos anos. Esta questão, como uma discussão sobre o aumento geral da despesa, foi trazida pelos deputados da oposição.

A diferença entre os números do CFP e o Governo está na forma como as medidas discricionárias do lado da receita (ou seja, a forma como o Governo decide sobre impostos), que envolve componentes não observáveis e, frisou nesta quarta-feira o ministro, "é sempre uma estimativa".

"A Comissão Europeia ainda está a trabalhar na metodologia e nas medidas discricionárias do lado da receita. Mas serão sempre estimativas e nunca valores observados", frisou.