Cientistas estudaram a composição química do cometa a partir de observações feitas com o telescópio espacial James Webb e o radiotelescópio ALMA, no Chile.
O cometa interestelar 3I/Atlas, que fez em dezembro a sua maior aproximação à Terra, formou-se num sistema planetário dos primórdios do Universo, sugere um estudo hoje divulgado que analisou a sua composição química.
NASA/European Space Agency via AP
Segundo o estudo, publicado na revista científica Nature, o cometa ter-se-á formado num sistema planetário gelado há 10 mil milhões a 12 mil milhões de anos (a idade estimada do Universo é 13,8 mil milhões de anos).
Cientistas estudaram a composição química do cometa a partir de observações feitas com o telescópio espacial James Webb e o radiotelescópio ALMA, no Chile, quando 3I/Atlas começou a afastar-se do Sol em dezembro.
Detetado pela primeira vez em julho do ano passado pelo telescópio ATLAS, no Chile, o cometa 3I/Atlas é o terceiro cometa confirmado com origem fora do Sistema Solar, depois de 1I/Oumuamua, em 2017, e 2I/Borisov, em 2019.
De acordo com os cientistas, a água do cometa tem dez vezes mais deutério (isótopo de hidrogénio) que outros cometas, sugerindo que pode ter origem num sistema planetário muito frio.
O estudo estima, neste contexto, que o 3I/Atlas se formou numa nuvem gélida de aproximadamente -243ºC.
Por outro lado, as proporções de carbono, que ultrapassam os valores observáveis no Sistema Solar, bem como em nuvens interestelares próximas e discos protoplanetários (berços dos planetas), apontam para que o cometa tenha origens muito antigas, possivelmente num sistema planetário dos primórdios do Universo.
Cometa que passou em dezembro "perto" da Terra remonta aos primórdios do Universo
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