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Papa pede regresso da "política analógica" junto do povo para travar populismos

Lusa 25 de abril de 2026 às 13:50
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Numa audiência no Vaticano com membros do Partido Popular Europeu.

O Papa Leão XIV defendeu este sábado, perante representantes do Partido Popular Europeu (PPE), um regresso à "política analógica" e de contacto direto com os cidadãos como "o melhor antídoto" para travar os populismos.

O Papa Leão XIV
O Papa Leão XIV AMPE ROGÉRIO/LUSA_EPA

"Poderíamos dizer metaforicamente que, na era do 'triunfo digital', a ação política verdadeiramente orientada para o bem comum requer um regresso ao 'analógico'", afirmou Leão XIV durante uma audiência no Vaticano com membros do PPE.

O chefe da igreja católica qualificou este método como o "verdadeiro antídoto" contra uma política que "frequentemente grita, consiste apenas em 'slogans' e é incapaz de responder às necessidades reais".

Leão XIV, o primeiro papa de nacionalidade norte-americana, tem sido criticado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recorre às redes sociais e à tecnologia digital para fazer política.

Participaram na audiência na Cidade do Vaticano 190 políticos do PPE, liderados pelo respetivo presidente, Manfred Weber, e pela enviada especial da União Europeia para a liberdade religiosa, Mairead McGuinness.

O Papa defendeu que envolver o povo no processo político é "o melhor antídoto contra o populismo, que procura a aprovação fácil", e contra o elitismo, que "tende a agir sem consenso", duas tendências que considerou estarem disseminadas.

"O povo não é apenas um recetor passivo de propostas e decisões políticas. Está, sobretudo, chamado a ser um participante ativo que partilha a responsabilidade de cada ação política", afirmou, citado pela agência espanhola EFE.

Para Leão XIV, um dos principais problemas dos últimos anos tem sido o "declínio constante da harmonia, da cooperação e do compromisso mútuo" entre representantes e representados.

Por isso, apelou à reconstrução de um "sentido genuíno de povo" que permita responder aos problemas concretos dos cidadãos e fortalecer o vínculo entre a sociedade e os seus dirigentes.

Recordou também aos membros do PPE que a Europa contemporânea surgiu após o "fracasso dos projetos ideológicos" que destruíram o continente no século passado.

"Toda a ideologia retorce as ideias e subjuga as pessoas à sua própria agenda, sufocando as suas verdadeiras aspirações, o desejo de liberdade, felicidade e bem-estar pessoal e social", afirmou.

Entre os desafios urgentes, destacou a necessidade de garantir condições laborais dignas face a um mercado "cada vez mais desumanizante".

Leão XIV apelou para que se abordem as "causas profundas" da migração, cuidando dos que sofrem e considerando "as capacidades reais de acolhimento e integração da sociedade".

Pediu ainda a promoção de abordagens que permitam aos cidadãos "superar o medo de formar uma família e ter filhos", uma reticência que considerou "particularmente presente na Europa".

O Papa apelou igualmente para que se enfrente de forma "não ideológica" desafios como a inteligência artificial, sobre a qual advertiu que, embora ofereça grandes oportunidades, está também "cheia de perigos".

"Ser um cristão empenhado na política significa também investir na liberdade, não uma liberdade trivializada, mas uma liberdade enraizada na verdade", acrescentou.

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