O coordenador do partido liderou a delegação do partido que foi recebida pelo assessor diplomático do primeiro-ministro.
O Bloco de Esquerda entregou esta segunda-feira na residência oficial do primeiro-ministro uma carta assinada por "cerca de 8.500 pessoas" que pedem ao Governo que proíba a utilização da Base das Lajes pelos EUA para ataques ao Irão.
José Manuel PurezaRODRIGO ANTUNES/LUSA
O coordenador do partido, José Manuel Pureza, liderou a delegação do partido que foi recebida pelo assessor diplomático do primeiro-ministro.
"O que viemos aqui trazer ao Governo foi uma carta aberta, subscrita por cerca de 8.500 pessoas, que dão voz a este sentimento de indignação, de exigência ao Governo de que condene este conflito e que o faça, sobretudo, de uma forma muito concreta, proibindo realmente, e não retoricamente, proibindo realmente a utilização da base das Lajes por aeronaves norte-americanas para este efeito", afirmou o líder do BE.
José Manuel Pureza indicou que a missiva exige ao executivo liderado por Luís Montenegro que siga o exemplo de Espanha, que fechou o espaço aéreo a todos os voos envolvidos nos ataques ao Irão e recusou a utilização de duas bases militares pelos EUA.
"Custa a crer que o Governo, perante tudo isto, tenha uma posição de grande cumplicidade materializada numa utilização da Base das Lajes que contraria tudo aquilo que são regras essenciais do direito internacional e até do direito português", criticou.
O coordenador do Bloco de Esquerda referiu-se também à notícia avançada pela SIC que dá conta de que drones militares MQ-9 Reaper, conhecidos como "drones assassinos", vão chegar esta noite à Base das Lajes.
Pureza considerou que "o facto de hoje mesmo estar programado uma aterragem na Base das Lajes de um número muito significativo de drones norte-americanos para utilização no conflito agrava essa cumplicidade do Governo português".
O dirigente bloquista disse lhe foi indicado pelo assessor diplomático do primeiro-ministro que a carta chegará a Luís Montenegro.
"O que é importante que o país perceba, desejavelmente o Governo também, é que há muita gente no nosso país que olha para esta guerra com uma enorme indignação, com uma enorme preocupação e que se sente lesada, enquanto tal, na sua carteira, no dia-a-dia, no supermercado, no preço da habitação, com os efeitos desta guerra", alertou.
O bloquista considerou também que "os factos dão razão a quem olha para isto com enorme preocupação e com enorme revolta". "A verdade é que depois de o ministro Paulo Rangel ter dito que o Governo português estabelecia condições imperativas para a utilização da Base das Lajes, isso já aconteceu depois da Base das Lajes já ter sido utilizada por aeronaves norte-americanas para o seu envolvimento na guerra. Portanto, o governo pode não confirmar, pode não desmentir, mas os factos confirmam", defendeu.
Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irão, que já teve consequências em vários países, como os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, entre outros, que foram atingidos por bombardeamentos.
O Governo português deu uma "autorização condicionada" ao uso da Base das Lajes, já depois do início do ataque, apontando como requisitos que a infraestrutura só podia ser utilizada "em resposta a um ataque, num quadro de defesa ou retaliação", que a ação tinha de ser "necessária e proporcional" e que só podia "visar alvos de natureza militar".
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou em meados de março, no parlamento, que, do que tem sido dado a conhecer ao Governo, a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos da América "tem cumprido os pressupostos subjacentes à autorização" dada por Portugal.
Desde o início do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão que vários aviões reabastecedores têm descolado das Lajes, quase todos os dias, em missões de reabastecimento.
Irão. BE pede ao Governo interdição do uso da Base das Lajes pelos EUA
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