Sábado – Pense por si

Maria Henrique Espada
Maria Henrique Espada
23 de junho de 2026 às 23:00

Aquela reforma que ninguém vai fazer

O País só mexeu neste círculo vicioso à força, sob alçada da troika e de Pedro Passos Coelho, mas o sistema refugiou-se depois nos alçapões das novas regras e continua vivo. Alimenta-se a clientela, mas também a perceção de que "são todos iguais" e o populista “eles querem é tacho”. É pena darem-lhes assim razão. Ninguém propôs sequer seriamente, PS ou PSD, tapar os buracos que permitem a continuação deste carrossel que envergonha ambos. Mas, pelo menos, já nos poupavam à exibição pública de moralidade fake.

Não sei se deu pelo escândalo, mas “há um autêntica colonização laranja da administração pública”, denunciou com bravura e enorme ética o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias. O governo reformulou a Segurança Social para poder renomear dirigentes a seu bel-prazer e, assim, “faz nomeações por substituição para evitar o concurso porque as pessoas que nomeia não podem ir à CReSAP (Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública) porque não têm experiência na segurança social”. Veja-se o desplante, acusou, “no caso de Leiria é um ex-presidente de câmara entretanto derrotado”. É na verdade escandaloso. O sistema de nomeação para quem gere a coisa pública não devia ser independente do cartão partidário? Conformemo-nos, os partidos acham que não. E Eurico Brilhante Dias também acha que não – embora não pareça.

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