Sábado – Pense por si

Miriam Assor
Miriam Assor
15 de fevereiro de 2026 às 08:00

Felicitações Inaceitáveis

Não somos o seu espelho, não. Pezeshkian após ordenar a morte dos manifestantes, apertado pelo vento Trump, lamentou o clima de protestos. É este tipo de estrume que recebeu as 'congratulations' de Guterres.

Quando se pensa que o tecto da pouca-vergonha desabou, eis que chega mais carregamento de argamassa: o gabinete do secretário-geral da ONU enviou uma mensagem de calorosas felicitações ao Irão por ocasião do 47.º aniversário da Revolução Islâmica. Felicitar o início de uma indeterminável selvajaria já é mau, felicitar de forma calorosa é superlativo. Precisa-se ler duas vezes, e sentada, para acreditar e não tombar. A dita Revolução, ocorrida em 1979, transformou o Irão numa república islâmica teocrática comandada pelo ditador aiatolá Ruhollah Khomeini. Aiatolás não merecem abraços escritos, pessoais, virtuais. Os nomes mudam, mas o inferno é o mesmo. Enquanto gente de Teerão e noutras cidades foram às varandas na noite do dia 11 de Fevereiro e gritaram palavras de ordem que fotografam o sentimento que lhes merece a escória que rege o país à laia sanguinária — Morte a Khamenei, Morte ao ditador e Morte à República Islâmica, António Guterres ajudou a soprar as velas do bolo da festa de uma data que marca a opressão, repressão, o funeral dos direitos das mulheres, o enterro dos direitos, da autonomia e das liberdades individuais e colectivas.

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