Num relatório que destaca a vulnerabilidade do golfo Pérsico, a ONU avisou que um potencial aumento de 20% nos preços dos alimentos seria suficiente para desencadear tal fenómeno em nações de "baixos e médios rendimentos".
A guerra no Médio Oriente podem "mergulhar cinco milhões de pessoas na insegurança alimentar nos países árabes", alertou esta quinta-feira a Comissão Económico-Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental (CESPAO).
Guerra pode deixar cinco milhões de pessoas à beira de crise alimentar AP Photo/Jehad Alshrafi
Num relatório que destaca a vulnerabilidade do golfo Pérsico, a instituição da ONU avisou que um potencial aumento de 20% nos preços dos alimentos seria suficiente para desencadear tal fenómeno em nações de "baixos e médios rendimentos".
A CESPAO sublinhou que o risco é "imediato e crescente", com a escalada da guerra naquela região está a causar interrupções "sérias e interligadas" nos sistemas de energia, água e alimentos, com consequências "potencialmente devastadoras" para a segurança humana e a estabilidade económica.
As perturbações macroeconómicas, como a suspensão das exportações de hidrocarbonetos, alimentam "a inflação, ampliando os déficites fiscais e os custos de transporte e com os seguros, em toda a região", defendeu.
O documento da ONU sublinhou que "os sistemas alimentares já estão a sentir a pressão", uma vez que os países árabes "importam a maior parte dos cereais e têm reservas limitadas", suficientes para cobrir pouco mais de três meses de consumo.
Ao mesmo tempo, o relatório referiu perigos em relação à segurança hídrica como "igualmente alarmantes", visto que "quase 40 milhões de pessoas nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) dependem de água dessalinizada", atualmente sob ameaça, devido ao conflito mais direto entre Estados Unidos e Israel e o Irão, iniciado há 33 dias.
O secretário-geral interino da CESPAO, o egípcio Mourad Wahba, pediu que estes "números alarmantes" sejam levados em consideração e sejam tomadas "medidas urgentes e coordenadas para salvaguardar as cadeias de abastecimento críticas".
Wahba defendeu "a criação de sistemas de alerta precoce, a garantia do armazenamento regional de reservas estratégicas, a diversificação dos corredores comerciais e a aceleração do investimento em sistemas resilientes de energia, água e alimentos".
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