A garantia consta de um documento, datado de domingo, emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, diz a Organização Marítima Internacional.
A Organização Marítima Internacional (OMI) afirmou esta terça-feira ter recebido do Irão a garantia de que "navios não hostis" podem transitar pelo Estreito de Ormuz, desde que respeitem as regras de segurança e proteção.
Navio a atravessar o Estreito de OrmuzAP
Segundo a agência das Nações Unidas para a segurança marítima, a garantia consta de um documento, datado de domingo, emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, com pedido de que fosse divulgado, o que a OMI fez aos seus Estados-Membros e organizações não-governamentais.
"Os navios não hostis (...) podem --- desde que não participem em atos de agressão contra o Irão nem os apoiem e que cumpram integralmente as regras de segurança e proteção em vigor --- beneficiar de uma passagem segura pelo estreito de Ormuz, em coordenação com as autoridades competentes", refere o documento divulgado.
Desde o início da ofensiva de Israel e Estados Unidos contra o Irão, a 28 de fevereiro, este país tem ameaçado e atacado navios que tentam atravessar o Estreito de Ormuz, por onde passa perto de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás, levando a um bloqueio da via e a uma escalada de preços.
O comunicado divulgado pela OMI salienta que "nenhum ativo pertencente aos agressores --- nomeadamente os Estados Unidos e o regime israelita ---, bem como aos outros participantes na agressão, pode pretender a uma passagem pacífica ou não hostil".
Especifica ainda que a responsabilidade por "qualquer perturbação, insegurança ou aumento vertiginoso dos riscos nesta rota marítima crucial" recai sobre os Estados Unidos e Israel, acusados de travar uma "guerra ilegal e desestabilizadora contra o Irão".
Segundo o comunicado, estes dois países "colocaram em risco a paz e a estabilidade regionais e expuseram o transporte marítimo internacional a ameaças sem precedentes".
O Presidente norte-americano, Donald Trump, insistiu hoje que há negociações em curso para alcançar um acordo sobre a guerra desencadeada em conjunto com Israel contra o Irão, que tem "um presente muito grande" para oferecer a Washington.
Sem apresentar detalhes, descartou que o suposto presente esteja ligado ao programa nuclear iraniano, mas admitiu que está "relacionado com o fluxo de petróleo e gás no Estreito de Ormuz", colocado sob ameaça militar por Teerão, o que fez disparar os preços de hidrocarbonetos à escala global.
"Ontem [segunda-feira] fizeram algo incrível. Na verdade, deram-nos um presente, e o presente chegou hoje. Foi um presente muito grande, de enorme valor económico. Não vou dizer qual é o presente, mas foi muito significativo. E deram-nos", afirmou.
O Presidente norte-americano acrescentou que se trata de "um gesto muito gentil", que demonstra que a Casa Branca está a "lidar com as pessoas certas", e ao mesmo tempo um sinal de que o Irão "chegará a um acordo" para pôr fim ao conflito iniciado pela ofensiva aérea israelo-americana em 28 de fevereiro.
Após os assassínios de altos dirigentes iranianos, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, houve uma "mudança de regime" na República Islâmica, segundo Trump, e os atuais representantes de Teerão "são muito diferentes" daqueles que, antes do conflito, "criaram todos estes problemas".
Trump indicou que o seu enviado Steve Witkoff, o seu genro Jared Kushner, o vice-presidente, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, estão envolvidos no processo de diálogo, até agora negado por Teerão.
O Presidente norte-americano anunciou na segunda-feira um prolongamento de cinco dias no prazo de 48 horas que estabelecera dois dias antes para começar a atacar instalações energéticas iranianas, caso Teerão não desbloqueasse o Estreito de Ormuz.
Mais tarde, indicou que Washington e Teerão tinham encontrado "pontos de concordância importantes" durante negociações com um representante iraniano que não identificou.
O Irão negou conversações com os Estados Unidos, embora tenha reconhecido a existência de contactos.
O Paquistão confirmou hoje que lidera uma iniciativa de mediação, juntamente com a Turquia e o Egito, para pôr fim à guerra.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou na rede social X que, "com a aprovação dos Estados Unidos e do Irão, o Paquistão está disposto e honrado para acolher negociações significativas e conclusivas que permitam uma solução abrangente" para o conflito em curso.
A embaixada iraniana no Paquistão considerou a oferta de negociações dos Estados Unidos como "uma farsa", negando qualquer diálogo com Washington.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.