O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) disse ter sido um privilégio viver no tempo de António Lobo Antunes, que morreu esta quinta-feira aos 83 anos, considerando que o escritor faz parte da rara aristocracia da literatura mundial.
"Tivemos a sorte e o privilégio de viver no tempo de António Lobo Antunes. Tivemos a sorte e o privilégio de ver o fruto da sua obsessão pela escrita. Tivemos a sorte e o privilégio de ver nele o maior interprete do Portugal do nosso tempo: do fim do império, da experiência da guerra, da psicologia tão complexa deste nosso velho país", salientou Carlos Moedas numa mensagem na sua página na rede social Facebook.
Na mensagem, Carlos Moedas garante não ter "dúvidas de que Lobo Antunes faz hoje parte da rara aristocracia da literatura mundial, onde estão os grandes mestres".
"Hoje só podemos dizer, com orgulho, que fomos a cidade e a pátria de António Lobo Antunes.
Numa nota divulgada no 'site' da CML, a autarquia lamentou a morte de "um dos maiores escritores da literatura portuguesa contemporânea" e salientou que vai ser inaugurada em breve a Biblioteca de Benfica - António Lobo Antunes, na Avenida Gomes Pereira, que será a 19.ª biblioteca municipal da cidade, com 20 mil títulos do espólio literário que o escritor doou à cidade.
"Corresponde a um desejo meu deixar ao país os meus papéis, os meus livros, as minhas condecorações, e nada melhor que deixá-los à câmara da cidade onde nasci e onde me sinto bem", afirmou Lobo Antunes, conforme lembrou a CML na mesma nota.
A nova biblioteca vai ter também uma área multiúsos com uma galeria, bem como o Espaço António Lobo Antunes, "reforçando a importância do seu pensamento e obra literária na divulgação da língua portuguesa, em Portugal e no estrangeiro", apontou a autarquia.
O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu hoje aos 83 anos, confirmou à Lusa fonte editorial.
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.
O seu primeiro livro, "Memória de Elefante", surgiu em 1979, logo seguido de "Os Cus de Judas", no mesmo ano, sucedendo-se "Conhecimento do Inferno", em 1980, e "Explicação dos Pássaros", em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.
A República Portuguesa condecorou-o com o Grande Colar da Ordem de Sant'Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de "Commandeur" da Ordem das Artes e das Letras, em 2008.
Foi Prémio Camões em 2007.
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